Mary Lou McDonald surge como única candidata para presidir o Sinn Féin

Dublin, 19 jan (EFE).- Os candidatos interessados em assumir a liderança do partido nacionalista irlândes Sinn Féin têm até esta sexta-feira para se inscrever, mas até agora a única aspirante a substituir o histórico digerente Gerry Adams foi a deputada Mary Lou McDonald.

A inscrição de candidatos termina hoje às 17h GMT (15h, em Brasília) e, por enquanto, só a Mary Lou, de 48 anos, se postulou para tomar as rédeas da formação, terceira força política na República da Irlanda e segunda na Irlanda do Norte, onde é a principal representante da comunidade católica nacionalista.

Adams, de 69 anos, anunciou em novembro sua intenção de deixar o comando para uma nova geração de dirigentes, após presidir durante 34 anos o Sinn Féin, antigo braço político do já inativo Exército Republicano Irlandês (IRA).

Se não tiver rivais, Mary Lou, atual vice-presidenta e "mão direita" de Adams no sul da ilha, será ratificada como nova presidente do partido em uma conferência extraordinária que será realizada em 10 de fevereiro.

A substituição geracional no Sinn Féin começou um ano após a saída em janeiro de 2017 de Martin McGuinness, ex-ministro principal norte-irlandês e ex-comandante do IRA, que morreu dois meses depois e foi substituído à frente do partido no norte da Irlanda por Michelle O'Neill, de 40 anos.

Da mesma forma que Michelle, Mary Lou representa uma camada de republicanos que não têm conexões com a antiga luta armada, um passado violento que ainda tira votos do Sinn Féin, sobretudo na República da Irlanda.

Destacados membros do partido declararam apoio a Mary, como Fiachra McGuinness, filho de Martin, que disse que se sente "orgulhoso e honrado" de respaldar a candidatura da líder.

McGuinness lembrou que seu pai era um "grande admirador das ideias, dedicação e compromisso" de Mary Lou, ao mesmo tempo que considerou que é a pessoa "idônea para levar ao Sinn Féin para o futuro".

Adams também indicou que não concorrerá às próximas eleições ao Parlamento de Dublin - previstas para 2021 -, onde tem uma cadeira desde 2011.

Além disso, o presidente saliente descartou concorrer nas próximas eleições à presidência da República da Irlanda, um cargo principalmente representativo, ainda que seu desejo, segundo os seus biógrafos, sempre foi encerrar sua carreira como chefe de um Estado irlandês reunificado, o objetivo histórico do Sinn Féin.

Diferentemente de McGuinness, Adams sempre negou pertencer ao IRA, mas ambos conseguiram transformar o Sinn Féin, primeiro, em uma formação comprometida com a via democrática e incluir, depois, o IRA no processo de paz, com gestos históricos como o seu desarmamento. EFE

ja/ff

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