Ex-chefe do Estado-Maior egípcio anuncia intenção de concorrer à Presidência

Cairo, 20 ene (EFE).- O ex-Chefe do Estado-Maior egípcio Sami Anan, "número dois" da junta militar que governou o Egito após a queda do presidente Hosni Mubarak em fevereiro de 2011, anunciou neste sábado sua intenção de concorrer nas próximas eleições presidenciais, previstas para março.

Em um vídeo publicado em sua conta do Facebook, o ex-militar criticou a política do presidente, o ex-marechal Abdul Fatah Khalil Al-Sisi, ao assegurar que militarizou os assuntos da administração do Estado.

"Vivemos uma situação crítica na história do Egito cheia de desafios, lideradas pelas ameaças do terrorismo, a deterioração da vida social dos egípcios e da capacidade do Estado para (...) manejar seus recursos" terrestres e hídricos, disse.

Segundo Anan, esta situação ocorreu devido "às políticas errôneas que deixaram unicamente em mãos das Forças Armadas a responsabilidade de enfrentar estes desafios, sem uma política racional que empodere o setor civil para que desempenhe seu papel junto às Forças Armadas".

Além disso, pediu o apoio do povo egípcio para alcançar as 20 mil assinaturas necessárias para validar sua candidatura e que os candidatos devem reunir antes do dia 30 deste mês.

Anan, que foi tirado do cargo de Chefe do Estado-Maior em agosto de 2012 pelo presidente islamita Mohamed Mursi, que o nomeou conselheiro presidencial, também assegurou que caso seja escolhido, contará com dois vice-presidentes.

Um de seus escudeiros, aos quais se referiu como "núcleo civil", é o ex-diretor de um organismo oficial de controle das contas do Estado Hisham Yinena, que ficou famoso por denunciar casos de corrupção na Administração e que foi condenado por isso a um ano de prisão.

O segundo é o professor de Ciências Políticas da Universidade do Cairo Hazem Hosni, que será seu porta-voz oficial.

Anan é o segundo ex-militar que demonstra a intenção de concorrer nas eleições. Antes dele, o ex-primeiro-ministro Ahmed Shafiq havia anunciado seu desejo de concorrer, ainda que algumas semanas depois tenha desistido ao assegurar que não se considerava uma "pessoa ótima" para governar o país.

Pessoas de seu entorno mais próximo denunciaram, no entanto, que Shafiq foi pressionado para se retirar.

Anan foi tirado do cargo como chefe de Estado-Maior em 12 de agosto de 2012 e renunciou ao seu posto de conselheiro presidencial em 1 de julho de 2013, dois dias antes do golpe de Estado que derrubou Mursi e que devolveu o poder político aos militares, que o ostentavam desde 1952, com o breve parêntese dos 12 meses que durou a presidência de Mursi.

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