ONG venezuelana revela que policial insurgente morreu por disparo na cabeça

Caracas, 20 jan (EFE).- A causa da morte do ex-policial Óscar Pérez e de outros cinco integrantes do grupo que se rebelou contra o governo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi por "impacto de projétil na cabeça", informou neste sábado à Agência Efe a organização Foro Penal Venezolano, que teve acesso ao atestado de óbito.

"A equipe da Foro Penal esteve com eles (os familiares) e viu (os atestados)", disse Alfredo Romero, diretor-executivo desta ONG que defende os detidos e mortos por motivos políticos na Venezuela.

Romero acrescentou que a morte de Pérez e de outros cinco integrantes do grupo foi por "impacto de projétil na cabeça", enquanto que a de um sétimo integrante foi por "disparo na cervical".

Para alguns observadores, a confirmação dos disparos na cabeça dá força à hipótese de que ocorreu uma "execução".

Os familiares dos mortos na operação policial de segunda-feira, classificada como "execução extrajudicial" pela oposição e por organizações de defesa dos direitos humanos, passaram toda a semana comparecendo diariamente ao necrotério de Caracas para exigir que os corpos fossem entregues.

A Foro Penal contabilizou mais de 20 detidos, entre eles oito oficiais das forças armadas, em relação com o caso Pérez.

Um dos detidos é um amigo de infância de Óscar Pérez, que foi sequestrado por desconhecidos dias antes da operação que resultou na morte dos rebelados e foi detido na quarta-feira pela Contrainteligência Militar no principal aeroporto da Venezuela quando tentava deixar o país.

Romero explicou que a Foro Penal desconhece o seu paradeiro desde a detenção.

O governo de Maduro considera "terroristas" Pérez e os homens que se juntaram a ele. A agente insurgente era inspetor da polícia científica e se rebelou contra Maduro em junho do ano passado, quando sobrevoou Caracas com um helicóptero desta corporação policial e exibiu uma mensagem convocando a população à desobediência.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Pérez dizia contar com o apoio de vários militares e civis que estariam dispostos a acabar com a "tirania" do presidente, e convocou um levante popular e militar contra o governo de Maduro.

Na clandestinidade, Pérez publicou vários vídeos com essas mesmas características e, em dezembro, voltou a agir ao liderar uma ação contra um quartel militar no qual subjugou os soldados sem violência e os recriminou por seguirem apoiando à "ditadura" de Maduro mesmo com a grave situação que vive o país.

O grupo rebelde também confiscou armamento do quartel nesta operação.

Segundo o ministro do Interior da Venezuela, Néstor Reverol, que disse que dois polícias morreram na operação em que Pérez foi abatido, os "terroristas" abriram fogo enquanto negociavam, o que derivou em um "enfrentamento".

Em vários vídeos difundidos em tempo real pelos homens de Pérez, é possível vê-lo negociando com os agentes do governo, aos quais garantiu que não atiraria e pediu que fizessem o possível para não matar os civis que havia entre eles.

Em um de seus últimos vídeos - que ao final aparece ferido - Pérez diz: "Estão disparando com RPG (lança-foguetes), com granadas, lança-granadas e franco-atiradores".

Em outra gravação realizada do lado de fora, é possível ver como a casa voa pelos ares após o disparo de um lança-foguetes.

A Igreja Católica tachou de "horrível massacre" o ocorrido e mais de 20 ex-presidentes de países da América Latina e da Espanha condenaram categoricamente a operação, que comoveu muitos venezuelanos e está sendo chamada de "o massacre de El Junquito". EFE

mgb/rpr

(foto)

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