Rússia teme que onda de ataques a colégios seja incentivada nas redes sociais

Arturo Escarda.

Moscou, 20 jan (EFE).- A Rússia teme que a onda de ataques ocorrida contra vários colégios por todo o país, o último nesta sexta-feira dia 19 realizado por um adolescente armado com um machado, tenha sido instigada por grupos em redes sociais.

Um menor de 15 anos entrou em uma sala de sétimo ano de um colégio de Ulan-Ude, capital da República da Buriácia, e feriu com um machado cinco adolescentes de 13 anos e uma professora, de 41 anos, que está em estado grave.

Três alunos agredidos também estão em estado grave, entre eles uma menina que teve que amputar um dedo da mão, e um menino atingido pelas costas, que teve ferimentos na cabeça e nas extremidades também.

O jovem agressor também jogou um coquetel molotov na sala, que pretendia incendiar, e depois disso se atirou pela janela em uma tentativa de se suicidar.

No entanto, o jovem sobreviveu e foi internado em estado grave em um hospital, onde permanece vigiado pela Polícia, para quando melhorar ser interrogado.

Este ataque foi o terceiro com vítimas em um colégio russo, e um dia antes, a segurança de uma escola de Moscou evitou que um aluno de último ano entrasse no prédio munido com um arsenal.

Ele levava seis facas, um cartucho de caça, uma garrafa com gasolina, um jogo de chaves de fenda, uma corda, cabo e duas caixas de fósforos.

No início da semana, 14 crianças e uma professora ficaram feridos por arma branca em um colégio da cidade de Perm, nos Urais, depois de serem atacados por dois jovens mascarados que foram detidos pela polícia após os fatos.

Pelo menos duas vítimas, a professora e um adolescente de 16 anos, foram operados após sofrerem graves ferimentos no pescoço.

Dois dias depois, um aluno de nono ano esfaqueou um colega de classe em uma cidade da região de Cheliabinsk, também nos Urais.

A imprensa russa revelou, sem dar detalhes, que alguns destes agressores faziam parte de um grupo na popular rede social russa VK dedicado ao famoso massacre de 1999 na Escola Secundária de Columbine (EUA), quando dois alunos da instituição mataram indiscriminadamente 12 estudantes e um professor.

O vice-ministro de Comunicações e Mídia russo, Alexey Volin, anunciou após o último ataque que o Governo bloqueará todos os grupos na internet dedicados à violência nas escolas.

O representante da presidência russa na Sibéria (onde ocorreram todos os ataques), Sergey Menyaylo, está convencido de que, além disso, os incidentes de Perm e Ulan-Ude estão relacionados.

"Já há versões da relação do ataque (de Ulan-Ude) com o de Perm. Estou absolutamente certo, ainda que a investigação tenha que demonstrar, que a mesma organização está por trás", disse o político.

No mesmo sentido se pronunciou a senadora Yelena Mizulina, que advertiu que as autoridades russas já confirmaram no passado a existência nas redes sociais de grupos que incitavam menores ao suicídio, e agora pode estar ocorrendo o mesmo com os ataques aos colégios.

"A situação é terrível. Não é a primeira vez que acontece. Há razões para pensar que se trate de uma campanha organizada através das redes sociais", disse a polêmica senadora, autora da lei federal que proíbe a propaganda homossexual entre as crianças.

Em setembro do ano passado, um aluno de 15 anos atingiu a cabeça de sua professora com um martelo e depois atirou em seu rosto com uma pistola de ar comprimido, deixando-a com um grave traumatismo crânio-encefálico.

Mas o ataque mais grave em uma escola na história do país ocorreu em Moscou em fevereiro de 2014, quando um aluno de décimo ano armado com uma escopeta matou um professor e um policial, e fez um grupo de estudantes como reféns.

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