Macron afirma que Trump não é um "político clássico"

Londres, 21 jan (EFE).- O presidente da França, Emmanuel Macron, opinou que o governante dos Estados Unidos, Donald Trump, não é um "político clássico" e pediu mais "respeito" em relação a outros países após seus recentes e polêmicos comentários sobre algumas nações africanas e latino-americanas.

Macron falou sobre vários assuntos de interesse político como o "Brexit" e a União Europeia (UE), em uma entrevista transmitida neste domingo pela emissora "BBC", gravada durante sua passagem pelo Reino Unido na semana passada, em sua primeira visita oficial na qual se reuniu com a primeira-ministra Theresa May.

O presidente francês foi questionado sobre a sua opinião em relação a Trump, com quem ele mantém uma relação próxima e, em particular, pelos supostos comentários ofensivos que o magnata fez recentemente sobre alguns países africanos, Haiti e El Salvador, nações que o americano classificou como "países de merda".

Perguntado se sentiu o mesmo "susto" que alguns líderes africanos após ouvir essas declarações polêmicas, Macron respondeu que "sim" e opinou que "esses termos não podem ser utilizados".

"Trata-se de construir a paz, o desenvolvimento e o respeito (nesses países), não podemos usar esse tipo de palavras", disse o líder francês.

Macron lembrou que muitos dos problemas atuais no Oriente Médio e na África "se devem a humilhações passadas e é necessário entender isto". "É preciso respeitar os outros países. É o que lhes é devido e é muito mais eficiente", acrescentou Macron.

Quanto à personalidade polêmica de Trump, o presidente francês reconheceu que mantêm "uma relação muito direta" e conversa "regularmente" com ele. Além disso, opinou que o presidente americano "não é um politico clássico".

No entanto, Macron lembrou que Trump "foi eleito pelos cidadãos americanos" e reafirmou seu desejo de "trabalhar com ele".

"Não concordamos em muitos assuntos. Telefono para ele com regularidade e sempre sou muito direto e franco com ele. Às vezes, consigo persuadi-lo. Outras vezes, não", contou o presidente francês.

Durante a entrevista, Macron também falou sobre o "Brexit" e sugeriu que o Reino Unido poderia chegar a um acordo comercial "especial" com a União Europeia (UE) após o divórcio com o bloco.

Segundo Macron, o Reino Unido poderia forjar um acordo sob medida com os 27 países da UE nas negociações em Bruxelas, mas advertiu que os britânicos não terão acesso total ao mercado único se não aceitarem suas "condições", entre as quais figuram a livre circulação de trabalhadores, as contribuições ao orçamento comunitário e a jurisdição do Tribunal Europeu de Justiça.

"Esta solução especial deveria ser condizente com a preservação do mercado único e nossos interesses coletivos", afirmou Macron, que acrescentou que o Reino Unido "deveria entender que não pode, por definição, ter acesso total ao mercado único se não cumprir as regras".

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