Abbas pede a UE que assuma papel político para a paz no Oriente Médio

Bruxelas, 22 jan (EFE).- O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, pediu nesta segunda-feira à União Europeia que assuma um "papel político" para relançar o processo de paz no Oriente Médio e insistiu que os países europeus devem reconhecer o Estado da Palestina.

Antes de participar de uma reunião com os ministros das Relações Exteriores dos países da UE em Bruxelas, Abbas e a Alta Representante da UE para Política Externa e Segurança, Federica Mogherini, ofereceram uma coletiva de imprensa na qual coincidiram na necessidade de encontrar uma solução baseada no reconhecimento dos dois Estados, Israel e Palestina.

"Pensamos que a UE deveria desempenhar um papel político no processo no Oriente Médio para encontrar uma solução com base nas resoluções internacionais", disse Abbas, que destacou que a UE é o seu aliado internacional "mais importante".

O presidente da ANP também pediu à UE que reconhecesse a Palestina como um Estado, já que entende que "o reconhecimento não é incompatível com a reconciliação ou com a retomada das negociações".

O reconhecimento da Palestina como Estado soberano é um assunto sobre o qual não há consenso na UE, no entanto, o Conselho de Relações Exteriores do bloco debaterá hoje com Abbas a possibilidade de avançar para um acordo de associação entre as partes.

Abbas também pediu que Israel continue cumprindo com os tratados "assim como faz a Palestina", já que "não é legítimo, nem imaginável que uma das duas partes os viole sistematicamente".

O presidente da ANP também se referiu de forma velada ao anúncio do governo dos Estados Unidos que congela 65 dos US$ 125 milhões que seriam destinados à Agência da ONU para os Refugiados da Palestina (UNRWA).

"Reduzir o financiamento à UNRWA só teria dois significados possíveis: abandonar os refugiados palestinos a sua sorte, ou pedir a eles diretamente que vão embora", afirmou Abbas.

Nesse sentido, Mogherini fez referência à próxima conferência internacional de doadores, que acontecerá em 31 de janeiro em Bruxelas e que ela espera que seja "uma oportunidade para reforçar o apoio" europeu.

Mogherini também comentou que a postura da UE "continua sendo a aposta por uma solução com Jerusalém como capital dos dois Estados, com base nos Acordos de Oslo e em diversas resoluções da ONU".

Apesar de a UE ter uma posição conjunta a respeito, seis Estados-membros - Croácia, Hungria, Letônia, Polônia, Romênia e República Tcheca - se abstiveram de condenar em dezembro na ONU a decisão de Trump de considerar Jerusalém a capital de Israel.

A alta representante da UE também condenou a criação de assentamentos por parte de Israel, "uma atividade ilegal segundo a legislação internacional".

"Há que agir com senso de responsabilidade para alcançar uma solução negociada", indicou Mogherini, que entende que, para isso, é necessário "o compromisso tanto de israelenses e palestinos como da comunidade internacional".

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