Bangladesh descarta iniciar repatriação de rohingyas na data marcada

Daca, 22 jan (EFE).- As governo de Bangladesh desconsiderou nesta segunda-feira a possibilidade de iniciar a repatriação de rohingyas dentro do prazo estipulado pelas autoridades deste país e as de Mianmar há dois meses porque os trabalhos prévios ainda não foram concluídos.

Bangladesh e Mianmar assinaram em 23 de novembro um acordo se comprometendo a iniciar no prazo de dois meses, e que termina amanhã, o processo de repatriação dos mais de 688 mil rohingyas que chegaram a Bangladesh desde agosto do ano passado.

"Não", respondeu o secretário de Relações Exteriores de Bangladesh, Shahidul Haque, ao ser perguntado hoje pela Agência Efe se o processo começaria amanhã, conforme a data fixada.

De acordo com o coordenador para a Ajuda e Repatriação de Refugiados de Bangladesh, Abul Kalam, muitos pontos ainda devem ser vistos antes de o início do processo.

"Estamos ocupados na preparação. Temos que construir algumas infraestruturas, temos que construir um campo de passagem e temos que preparar a lista baseada em famílias e localidade. Estes trabalhos estão acontecendo", indicou.

Segundo ele, uma vez que isso aconteça, Mianmar será notificado e só quando as autoridades deste país fizerem a verificação e responderem o processo começará.

"E Mianmar também tem muitas coisas para fazer para assegurar a repatriação de forma segura", acrescentou.

Kalam não quis dar uma nova data para o começo da repatriação.

Ontem, o Ministério de Exteriores de Bangladesh indicou, em um comunicado, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) participará dos trabalhos para garantir que o processo será voluntário. O porta-voz da entidade em Cox's Bazar, no entanto, afirmou que eles não têm qualquer ideia de quando será o início.

A fuga dos rohingyas começou em 25 de agosto, depois de um ataque de um grupo insurgente que foi respondido com uma campanha militar em Rakhine. A estimativa era que 1 milhão pessoas desta minoria muçulmana não reconhecida pelas autoridades birmanesas moravam no estado. A Organização das Nações Unidas (ONU) e organizações defensoras dos direitos humanos denunciaram em várias ocasiões que existem provas claras de abusos das autoridades e o Acnur qualificou as ações de "limpeza étnica" e "genocídio".

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