Dependência energética da Rússia ameaça a Europa, diz senador americano

Javier Pachón Bocanegra.

Washington, 22 jan (EFE).- A dependência energética que os países europeus têm em relação à Rússia representa uma ameaça para suas democracias, avalia o senador americano Ben Cardin, autor de um relatório do Senado dos Estados Unidos sobre a interferência do Kremlin nas recentes eleições no Velho Continente.

"Vão utilizar isso (a dependência energética) como uma ferramenta se acreditarem que podem se beneficiar em termos geopolíticos", disse o líder dos democratas no Comitê de Relações Internacionais do Senado em entrevista à Agência Efe.

Para o senador, as fontes energéticas são determinantes."Se você depende da energia russa, e os russos querem realizar alguma atividade, você está sob a influência deles", avaliou.

Sobre a possibilidade de os países europeus cumprirem suas recomendações no relatório de diversificar as fontes e reduzir a dependência em relação à Rússia, o senador se mostrou convencido que os governos europeus podem fazê-lo e que se trata de uma ameaça às democracias ocidentais atuais.

As reações das instituições francesas e alemãs para proteger os processos eleitorais do ano passado foram duas das reações mais fortes e eficazes para se proteger das potenciais interferências russas, ressaltou Cardin.

Contra as futuras atuações do governo de Vladimir Putin para tentar influenciar na política nacional de outros países, o senador não duvida que a Rússia continuará agindo nas nações já identificadas e optará por ampliar para novas áreas nas quais considerem ter oportunidades.

O relatório reúne as tentativas de interferência russa sobre 19 países europeus, o que prova, nas palavras do senador, que o Kremlin tem um "objetivo global de influir na unidade do Ocidente e interferir nas instituições democráticas".

Segundo Cardin, a linha adotada pelo governo de Putin amplia os horizontes de influência fixados anteriormente na Rússia.

"Não se reduz somente àqueles países da Europa nos quais tentou influir tradicionalmente, é muito mais global", disse.

Sobre os Estados Unidos e as eleições legislativas de 2018, Cardin acha que os mecanismos de proteção contra possíveis ingerências e a "negligência" do presidente dos EUA, Donald Trump, tornam o país vulnerável.

"Acredito que somos vulneráveis, mas que temos a capacidade de nos proteger, ainda que sem o presidente esse desafio seja muito maior", disse Cardin sobre a atuação de Trump.

O senador mantém a esperança de que o presidente atue o mais rápido possível para defender o país dos ataques russos.

Além disso, Cardin afirma que a complexa configuração do sistema eleitoral americano fazem a missão ainda mais desafiante.

Entre as medidas adotadas pelos EUA contra o governo de Putin, Cardin destacou as sanções aprovadas de má vontade por Trump em agosto do ano passado contra a indústria petroleira da Rússia.

A sanção, aprovada por grande maioria na Câmara dos Representantes, foi uma resposta às ingerências nas eleições de 2016 para prejudicar a democrata Hillary Clinton, derrotada por Trump.

Atualmente, o promotor especial Robert Mueller mantém aberta uma investigação sobre a suposta conspiração e coordenação entre o Kremlin e a campanha de Trump no pleito.

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