Roma renomeará ruas dedicadas a signatários de manifesto antissemita

Roma, 22 jan (EFE).- A Câmara Municipal de Roma, na Itália, removerá das ruas da cidade os nomes de personalidades que apoiaram o 'Manifesto della Razza' (Manifesto da Raça) de 1938, que deu início à exclusão dos judeus italianos da vida pública.

O anúncio foi feito pela prefeita de Roma, Virginia Raggi (do partido antissistema Movimento Cinco Estrelas), em uma entrevista concedida ao documentarista Pietro Suber, por causa de seu filme "1938. Quando scoprimmo di non essere più italiani" ("1938. Quando descobrimos que já não éramos italianos", em tradução livre), e que foi veiculada nesta segunda-feira pela imprensa local.

O Manifesto da Raça, do qual alguns signatários, como o neuropsiquiatra Arturo Donaggio e o zoólogo Edoardo Zavatari, que tiveram seus nomes colocados em ruas de Roma, foi assinado em 1938 por dez cientistas e, além de excluir os judeus da vida pública, contribuiu para criar as condições para a sua deportação pelos nazistas.

"Iniciamos os procedimentos necessários para renomear as ruas e praças da capital que levam os nomes daqueles que assinaram o Manifesto da Raça. Devemos eliminar estas cicatrizes indeléveis que são uma vergonha para o país", disse Raggi.

"Este gesto pode servir de exemplo para todas as câmaras municipais que, assim como Roma, têm ruas com os nomes dessas pessoas", acrescentou a prefeita.

Raggi assegurou que "Roma é orgulhosamente antifascista" e que, por isso, usará "todos os instrumentos disponíveis para combater" a "violência e a discriminação", que são intoleráveis.

As declarações de prefeita acontecem em plena campanha eleitoral pelas eleições gerais que serão realizadas no país em 4 de março e uma semana depois que o candidato à presidência da região da Lombardia (norte) por parte da coalizão de direita, Attilio Fontana, convocou seus simpatizantes a defenderem "a raça branca" contra a invasão dos imigrantes.

As palavras de Fontana geraram grande polêmica na Itália e foram criticadas por diversos setores da política.

Na Itália, não existe uma lei similar à de outros países que reconhece e amplia direitos e estabelece medidas em favor dos que sofreram perseguição e violência, e a nação convive com seu passado fascista, com monumentos com referências e inscrições com o nome do ditador Benito Mussolini.

Um exemplo disso em Roma é o bairro periférico de Eur, que foi construído para hospedar a Exposição Universal de Roma em 1942, que não aconteceu devido à eclosão da Segunda Guerra Mundial.

O bairro tem edifícios monumentais de mármore com numerosas referências ao líder fascista e a seu império, e na capital também se destaca o obelisco comemorativo em homenagem ao ex-ditador em que se pode ler "Mussolini Dux" e que está situado no Foro Italico.

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