Referência do islã na Argentina afirma que Nisman morreu por "narcisismo"

Ignacio Grimaldi.

Buenos Aires, 23 jan EFE).- Galeb Moussa, referência islâmica em Buenos Aires, afirmou à Agência Efe que o promotor Alberto Nisman morreu por "narcisismo", já que "decidiu se dar um tiro" ao perceber que "cairia no escárnio público" após acusar a então presidente Cristina Kirchner de acobertar supostos terroristas iranianos.

"A morte de Nisman complicou tudo porque levou todos os segredos ao túmulo", declarou o também jornalista e primo de Jorge "Yussuf" Khalil, outro dos denunciados pelo falecido promotor e que foi processado e detido em dezembro do ano passado pelo juiz Claudio Bonadio, agora encarregado da controversa causa iniciada por Nisman.

Em 18 de janeiro de 2015, justamente um dia antes de quando deveria explicar perante o Congresso os detalhes da sua denúncia contra Cristina, seu chanceler e outros como Khalil, Nisman foi encontrado morto em sua casa com um tiro na cabeça que silenciou para sempre as provas que, segundo assegurava, comprometiam fortemente a cúpula do poder.

Desde então, a causa que investiga sua morte deixou de avançar lentamente em torno de uma "morte duvidosa" para dar um salto gigante depois que, em setembro do ano passado, uma junta de policiais e peritos concluiu que duas pessoas o espancaram, drogaram e assassinaram, o que afasta, oficialmente, a teoria do suicídio.

"Queria que Nisman estivesse vivo porque nessa situação 'Yussuf' Khalil não estaria detido. É muito injusto. Todos os indiciados nesta causa são inocentes. A base é falsa, portanto tudo é falso", destacou Galeb Moussa, ex-presidente e atual porta-voz da Federação de Entidades Argentinas Árabes de Buenos Aires.

Em sua opinião, Nisman não foi vítima de um homicídio, mas "morreu por um caso de narcisismo", já que "cairia no escárnio público" e, antes que isso acontecesse, "decidiu se dar um tiro".

O promotor estava há anos dirigindo a investigação do atentado contra a associação mutual judaica AMIA de Buenos Aires em 1994, que deixou 85 mortos, segue impune e é historicamente atribuído, pela comunidade judaica, ao Irã e ao grupo xiita Hezzbolah.

Quatro dias antes de morrer, Nisman apresentou uma denúncia na qual assegurava que a assinatura de um acordo entre Argentina e Irã em 2013, que oficialmente buscava uma colaboração conjunta para esclarecer o atentado, representava na verdade um pacto para acobertar os iranianos suspeitos do ataque, e favorecer o intercâmbio comercial bilateral, algo que Cristina sempre negou.

"A denúncia de Nisman foi rejeitada em sete instâncias judiciais porque não havia delito e tampouco tinha sustentação jurídica. Muita gente disse que ele não redigiu essa denúncia e que outros serviços a escreveram", comentou Moussa.

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