Berlim pede que Turquia esclareça eventual uso de armas alemãs contra curdos

Berlim, 24 jan (EFE).- O governo da Alemanha requererá que a Turquia esclareça que equipamento militar está utilizando na sua ofensiva contra posições curdas no norte da Síria, perante o suposto uso dos blindados "Leopard 2" fornecidos por Berlim a esse país, na sua qualidade de membro da OTAN.

Fontes do Ministério de Relações Exteriores alemão informaram hoje que seu embaixador em Ancara, Martin Erdmann, pedirá estas explicações ao ministro de Defesa turco, Nurettin Canikli.

Por sua parte, a vice-porta-voz governamental, Ulrike Demmer, declarou que o Executivo da chanceler Angela Merkel acompanha "com grande preocupação" o desenrolar dessa ofensiva.

No entanto, evitou fazer comentários sobre a legitimidade da operação lançada contra as posições das Unidades de Proteção do Povo (YPG) no norte da Síria e se esta vulnerava o direito internacional.

A milícia YPG, aliada dos Estados Unidos, combate o jihadismo islâmico no norte da Síria, mas Ancara os considera terroristas.

O suposto uso dos blindados "Leopard" foi denunciado por diversos meios de comunicação alemães e foi documentado com imagens, o que fez o Executivo de Berlim se comprometer a investigar.

A Alemanha exporta há mais de três décadas estes blindados à Turquia, tanto nos anos do governo do chanceler conservador Helmut Kohl como de seu sucessor social-democrata Gerhard Schröder e agora com Merkel.

O seu uso no país destinatário está restrito à defesa nacional ou no marco das operações da OTAN.

Fontes dos departamentos de Exteriores e de Economia reforçaram que seu governo segue uma linha "muito rigorosa" na adjudicação de licenças a estas exportações e destacaram que as provisões à Turquia tinham diminuído desde a tentativa de golpe de Estado de 2016.

Estas explicações são divulgadas em meio à polêmica gerada na Alemanha tanto pelo suposto uso dos "Leopard" contra as posições curdas como pelo aumento de exportações de armas registrado durante a última grande coalizão entre o bloco conservador de Merkel e os social-democratas.

A emissora de televisão pública "ARD" destacou hoje que o volume de exportações de armas subiu na última legislatura - de 2014 a 2017 - a 24,9 bilhões de euros, o que representa um aumento de 21% em relação à anterior, na qual a chanceler governou em coalizão com os liberais.

O Partido Social-Democrata (SPD) tinha se comprometido a impor uma política mais restritiva quanto a exportações de armas a países como Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes, que, segundo a "ARD", seguem estando entre os dez principais países receptores de provisões militares alemãs.

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