Enfrentamentos em zona independentista de Camarões deixam 10 mortos

Iaundé, 24 jan (EFE).- Pelo menos 10 civis morreram nos últimos três dias na região de sudoeste de Camarões por enfrentamentos entre as Forças Armadas e grupos de jovens separatistas, relataram à Agência Efe testemunhas desta zona do país.

A maioria das vítimas são idosos e jovens de Kwa Na Kwa, e grande parte da população se refugiou nas plantações de cacau e de café para salvar a vida.

O Governo não ofereceu nenhum balanço oficial de mortes.

O porta-voz do Exército, o coronel Didier Badjeck, só se pronunciou para elogiar a "valentia" dos soldados, que "dominam a situação sobre o terreno e lideram as lutas com profissionalismo, firmeza e sem excessos".

Badjeck criticou os separatistas anglófonos, que estão "oprimidos" e que "não têm outro recurso a não ser recorrer à intoxicação e a desinformação".

Desde a piora da crise, o Executivo impediu o acesso da imprensa à zona de conflito, principalmente localizada entre as províncias anglófonas de sudoeste e noroeste.

A única informação oficial a respeito provém do ministro de Comunicação, Issa Tchiroma Bakary, que emite comunicados de imprensa elogiando as ações das Forças Armadas.

Camarões foi colônia britânica e francesa até 1960, quando se independentizou de ambas potências e instaurou um Estado federal até a realização de um referendo em 1972, que unificou o país; desde então, o inglês e o francês são idiomas co-oficiais e convivem junto a cerca de 250 línguas locais.

No entanto, a minoria anglófona se queixa de marginalização a respeito da maioria francófona em matéria de distribuição da riqueza e que o inglês é considerado uma língua secundária, por isso que exigem a volta ao federalismo ou a independência destas regiões.

O Governo camaronês, dirigido por Paul Biya desde 1982 (ainda que foi premiê desde 1975), se mostra inoperante perante estas demandas e inclusive nega que sejam debatidas em órgãos legislativos, o que provocou fortes queixas por parte da oposição.

O conflito se agravou nos últimos meses com a aparição de grupos armados como as Forças de Defesa da Ambazônia, cujos enfrentamentos com as forças de segurança deixaram muitas vítimas mortais.

Segundo a ONU, a situação fez com que 10 mil camaroneses anglófonos se refugiassem na Nigéria.

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