Funcionário britânico renuncia após organizar polêmico jantar só para homens

Londres, 24 jan (EFE).- Um funcionário do Ministério de Educação do Reino Unido renunciou nesta quarta-feira após ter ajudado a organizar um polêmico jantar apenas para homens em um hotel de luxo de Londres, do qual participaram empresários e políticos, cujos assistentes foram acusados de assediar garçonetes.

David Meller, membro não executivo do conselho de direção do Departamento de Educação desde 2013, deixou seu cargo depois que uma jornalista infiltrada do jornal "Financial Times" revelou detalhes sobre o jantar, batizado como "Presidents Club Charity Dinner", que aconteceu na semana passada no exclusivo hotel Dorchester.

No evento, organizado para arrecadar fundos para organizações beneficentes, estiveram cerca de 360 figuras do mundo dos negócios e da política, e para a ocasião foram contratadas 130 garçonetes, entre elas a repórter infiltrada.

A reportagem do "Financial Times" sobre o jantar indica que "muitas garçonetes, algumas delas estudantes que estavam ali para ganhar um dinheiro extra, foram apalpadas, assediadas sexualmente e receberam propostas".

Durante as seis horas que durou o evento, incluindo a festa posterior ao jantar, as mulheres receberam todo tipo de "comentários lascivos e pedidos para levar os assistentes a algum lugar de Dorchester", segundo descreve a jornalista Madison Marriage.

"Havia mãos que subiam pelas saias e mãos nos traseiros, mas também mãos nos quadris, nas barrigas e braços que te rodeavam a cintura", relatou a jornalista em uma entrevista à emissora "BBC".

Este jantar anual exclusivo para homens foi um dos eventos destacados do calendário social da capital britânica durante os últimos 33 anos, segundo a emissora pública.

No leilão beneficente realizado durante o evento era possível dar um lance por um "almoço" com o ministro de Relações Exteriores britânico, Boris Johnson, ou por "tomar o chá" com o governador do Banco da Inglaterra, Mark Carney.

Um porta-voz de Downing Street, escritório oficial da primeira-ministra, a conservadora Theresa May, afirmou que a chefe de governo se sente "incomodada" perante as informações publicadas sobre o jantar e salientou que se trata "de um evento ao qual ela não poderia ter sido convidada".

Questionada sobre o assunto na Câmara dos Comuns, a secretária de Estado de Educação, Anne Milton, afirmou que a renúncia de Meller, um dos organizadores do jantar, foi a decisão "correta".

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