Lula reafirma inocência e diz que vontade de ser candidato é ainda maior

São Paulo, 24 jan (EFE).- O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou nesta quarta-feira sua inocência após o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF) ter confirmado sua condenação pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por unanimidade no caso do tríplex do Guarujá, no litoral de São Paulo.

"Tudo o que estão fazendo é para evitar que eu possa ser candidato, não ganhar, só ser candidato. Mas a provocação é tão grande que agora eu quero ser candidato à presidência", disse Lula em um evento na Praça da República, em São Paulo.

Os três desembargadores da 8ª Turma do TRF confirmaram a condenação contra Lula e elevaram a pena do ex-presidente para 12 anos e um mês de prisão. Na primeira instância, o juiz Sergio Moro determinou nove anos e meio de reclusão.

Apesar da possibilidade de recurso, a decisão complica as chances de Lula de disputar as eleições presidenciais de outubro. Segundo a Lei da Ficha Limpa, sancionada pelo próprio ex-presidente, condenados em segunda instância não podem ser candidatos.

"Eles podem cassar meu direito de ser candidato. Eu quero disputar com eles a consciência do povo brasileiro. Se apresentarem meu crime, desisto da candidatura", ressaltou o ex-presidente.

"A decisão de hoje qualquer advogado diria que eu tenho que respeitar. Eu respeito a decisão deles, o que não aceito é a mentira pela qual eles tomaram a decisão. Eles sabem que não cometi o crime", completou Lula na Praça da República.

O ex-presidente afirmou que foi mais uma vez condenado por uma "desgraça" de apartamento que não é dele.

"Não baixem a cabeça, não. Não fiquem com 'dó do Lula'. A hora não é de desistir. É de continuar a trajetória que nós construímos nesse país", pediu Lula aos simpatizantes durante o discurso.

"Só tem um jeito de me tirar das ruas desse país. Enquanto esse coração velho bater, pode estar certo de que a luta vai continuar", ressaltou o ex-presidente, ao lado do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, que convocou os militantes da esquerda a tomarem as ruas do país.

"Quando fecham as portas da democracia, levam ao povo à radicalização. A resposta vai ser nas ruas, acabou o tempo da obediência", alertou Boulos.

Mesmo com a condenação em segunda instância, o ex-presidente ainda não será preso. Isso só deve ocorrer quando todos os recursos que podem ser apresentados pela defesa forem analisados pela Justiça.

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