Stephen Miller, o braço direito de Trump em imigração

Lucía Leal.

Washington, 24 jan (EFE).- Tem 32 anos, fama de arrogante e um lugar privilegiado na Casa Branca: Stephen Miller é um dos poucos sobreviventes do círculo original de Donald Trump e a mão que guia sua política migratória, um astuto estrategista que pode ser crucial para definir o futuro de milhares de jovens imigrantes irregulares.

"Enquanto Stephen Miller estiver responsável por negociar sobre imigração, não vamos para lugar nenhum", sentenciou neste domingo o senador republicano Lindsey Graham, um dos impulsores de um projeto de lei bipartidário para proteger da deportação os jovens imigrantes irregulares conhecidos como "dreamers" ("sonhadores"), que chegaram aos EUA durante a infância.

A impressão de Graham, e de outros observadores políticos em Washington, é que o presidente dos EUA, Donald Trump, está aberto a considerar ideias bipartidárias nas negociações migratórias, mas seus assessores, em particular Miller, não.

Discreto e leal, Miller conseguiu ganhar a confiança do volúvel Trump desde que se juntou a seu comitê de campanha eleitoral em janeiro de 2016, e alguns o consideram o maior expoente do nacionalismo na Casa Branca após a saída em agosto do estrategista populista Steve Bannon.

Seu cargo tem um título difuso - assessor sobre políticas públicas - e ele também é responsável por escrever e revisar discursos, mas o trabalho pelo qual ele mais se destacou é o de modelar e defender a política migratória de Trump, desde o seu polêmico veto a certos imigrantes à sua posição sobre os refugiados e os "dreamers".

"Ele sabe muito sobre imigração", disse à Agência Efe o analista Mark Krikorian, que conhece Miller desde 2013 e dirige o conservador Centro de Estudos sobre Imigração (CIS, na sigla em inglês).

Krikorian, que tem a mesma a posição sobre imigração dos republicanos de linha dura, não acredita que Miller esteja manipulando Trump, mas que ambos "pensam de forma similar" e que o jovem assessor "se concentra nos detalhes".

"O que Miller faz é transformar as ideias gerais do presidente sobre imigração em políticas específicas", defendeu o diretor do CIS.

Em qualquer caso, Miller é uma das figuras mais resistentes de uma Casa Branca marcada pelo caos e pelas lutas de poder, e quem o conhece atribui sua sobrevivência à sua lealdade a Trump e à sua capacidade de manter o equilíbrio em um ambiente competitivo.

"(Miller) parece ter sucesso na hora de trabalhar com os diferentes setores da Casa Branca. O fato de que não ter feito parte do drama é um sinal de que está concentrado em fazer seu trabalho", opinou Krikorian.

Em suas poucas aparições midiáticas, Miller jactou-se de populismo, como em agosto, quando um jornalista da "CNN" comentou para ele que há uma inscrição na Estátua da Liberdade que defende o acolhimento de imigrantes "cansados e pobres", e não necessariamente os que saibam "falar inglês", como pede Trump.

"Parece-me incrível que você acredite que só as pessoas da Grã-Bretanha e da Austrália sabem inglês. É algo que revela seu viés cosmopolita de uma forma alucinante", retrucou Miller, com uma resposta que parecia feita sob medida para a base eleitoral de Trump.

Nascido em agosto de 1985 em uma família judaica e progressista em Santa Monica (Califórnia), Miller se rebelou desde a sua adolescência contra o ambiente inclusivo do instituto onde estudava, e se queixou em vários artigos de opinião que os estudantes hispânicos não dominavam o inglês e que não havia atos patrióticos suficientes na escola.

"Ele não gostava que alguém de El Salvador celebrasse sua terra natal, ou que alguém do Vietnã trouxesse comida de lá. Queria que todos celebrassem uma cultura. Um país. Com 16 anos, Stephen era um nacionalista extremo", escreveu no ano passado Nick Silverman, um colega de escola de Miller, em seu perfil no Facebook.

Suas ideias conservadoras tomaram forma depois que ele leu um livro sobre o direito de portar armas do presidente da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), Wayne LaPierre; e se fortaleceram na Universidade de Duke (Carolina do Norte), onde estudou Ciências Políticas.

Lá, em 2006, Miller ganhou fama midiática ao defender no jornal universitário - e mais tarde na televisão nacional - três estudantes brancos acusados de terem estuprado uma jovem negra que depois foram inocentados, e isto abriu seu caminho na política: logo depois, começou a trabalhar para a congressista republicana Michele Bachmann.

Em 2009, Miller se converteu em assessor do senador republicano Jeff Sessions, que agora é o procurador-geral dos EUA, e ambos tiveram um papel-chave no fracasso das negociações de 2013 para conseguir uma reforma migratória, já que contataram numerosos legisladores para pedir-lhes que rejeitassem o projeto de lei.

"Eles tiveram muito sucesso", comemorou Krikorian ao lembrar esse episódio em que Miller, o mesmo que agora orienta a política de Trump, ajudou a afundar a última tentativa de reforma migratória. EFE

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