Diplomata americano abandona debate sobre rohingyas e faz críticas a Suu Kyi

Bangcoc, 25 jan (EFE).- O diplomata americano Bill Richardson abriu mão da sua participação no painel de conselheiros criados pelo governo de Mianmar para debater a crise de refugiados rohingyas com duras críticas à líder de fato do país, Aung San Suu Kyi.

Em comunicado emitido pelo Escritório da Conselheira de Estado, a política respondeu que Richardson "tinha a sua própria agenda".

O painel foi criado para implementar as recomendações da comissão liderada pelo ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, para tratar da violência no estado Rakhine, no oeste do país, e da discriminação sofrida pela minoria muçulmana.

As recomendações foram apresentadas um dia antes do ataque armado feito por um grupo insurgente rohingya e da resposta do Exército que levou mais de 700 mil pessoas a fugirem rumo à Bangladesh. A ONU qualificou a ação militar de "limpeza étnica".

O ex-embaixador dos Estados Unidos na ONU e amigo de Suu Kyi da época em que ela foi presa política, se mostrou "extremadamente decepcionado" com a atitude da vencedora do Prêmio Nobel da Paz no painel que se reuniu por primeira vez na segunda-feira.

"Tudo indica que o comitê está a ponto de se tornar um simples coro de animadores para as políticas do governo, em vez de propor mudanças reais, que são desesperadamente necessárias para garantir a paz, a estabilidade e o desenvolvimento no estado de Rakhaine", disse Richardson em comunicado.

O também ex-governador do Novo México denunciou como as reuniões se centraram em desprezar "vigorosamente" o papel da imprensa, das Nações Unidas e de grupos de defesa dos direitos humanos, que denunciaram os múltiplos abusos cometidos pelo Exército. Richardson ainda criticou a nula sinceridade do painel perante a falta de reconhecimento da cidadania dos rohingyas e a "resposta furiosa" de Suu Kyi ao saber do caso dos dois repórter da agência de notícias "Reuters" foram detidos enquanto investigavam os abusos do Exército em Rakhine.

"Não posso ajudar neste tema", disse Rihcardson ao comunicar "com grande decepção" a sua saída.

"É importante reconhecer o significativo poder que o Exército dispõe e que eles são os principais responsáveis (...). A ausência de liderança moral de Suu Kyi neste assunto crucial é de grande preocupação", declarou.

O diplomata, um dos cinco estrangeiros do painel que tem dez membros, também criticou a falta de compromisso do presidente do organismo, o tailandês Surakiart Sathirathai, e o "desejo geral de evitar assuntos conflitantes entre os participantes".

O escritório que Suu Kyi ocupa contra-atacou e disse na nota que "vistas as diferentes opiniões que estão sendo desenvolvidas, o governo decidiu que a continuação de Richardson como membro do painel não seria do melhor interesse de todos os afetados".

A repatriação dos milhares de refugiados rohingyas que fugiram da campanha de repressão lançada pelo Exército e que estava marcada para esta semana foi adiada. O Exército negou ter cometido abusos nessa ofensiva que, segundo a organização Médicos Sem Fronteiras, causou a morte de pelo menos 6.700 rohingyas.

Mianmar não reconhece a cidadania desse povo, considerado por eles como de Bangladesh, e aplica todo tipo de discriminações, incluindo restrições à liberdade de movimento.

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