Rússia admite que operação turca no norte da Síria é "um perigoso desafio"

Moscou, 25 jan (EFE).- A Rússia reconheceu nesta quinta-feira que a operação militar lançada pela Turquia contra as milícias curdas no noroeste da Síria é um "perigoso desafio" para o processo de paz nesse país.

"Isso é o que está ocorrendo agora na área de Afrin, onde as forças armadas da Turquia fazem uma operação militar conjunta com unidades da oposição síria", declarou Maria Zakharova, porta-voz da chancelaria russa, em coletiva de imprensa.

Zakharova, na primeira crítica velada russa à ofensiva turca, assegurou que qualquer "demora no restabelecimento da unidade da sociedade síria acarreta novos e perigosos desafios".

"A parte turca, como é bem conhecido, explica isto como uma resposta à ameaça à segurança da Turquia formada no norte da Síria em condições de ausência de controle governamental", declarou.

Na sua opinião, "o fator curdo é utilizado há vários anos, inclusive entre os nossos parceiros ocidentais, e não só em interesse dos curdos".

"Dá a impressão que a população curda é usada justamente quando convém", lamentou.

A principal formação política curdo-síria, o Partido da União Democrática (PYD, na sigla em curdo), já anunciou que não participará do Congresso do Diálogo Nacional Sírio da próxima semana, em protesto pelo "papel russo" na ofensiva turca contra o enclave de Afrin.

O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, anunciou nesta semana que os curdos tinham sido incluídos na lista de sírios convidados ao diálogo, que será realizado em Sochi, mas acusou os Estados Unidos reiteradamente de promover o separatismo curdo.

A Rússia sempre defendeu a participação dos curdos nas negociações de paz e, inclusive, permitiu que abrissem na sua capital um escritório de representação, mas o governante turco, Recep Tayyip Erdogan, assegurou que tinha pactuado com Moscou a operação militar contra os curdos em Afrin.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu ontem à noite a Erdogan que limite as operações militares contra as milícias curdas das Unidades de Proteção Popular (YPG), que Ancara considera terroristas, enquanto Washington as vê como aliadas contra o jihadista Estado Islâmico.

A operação "Ramo de Oliveira", lançada no sábado pelo exército turco, se centra, por enquanto, na região curda de Afrin, mas a Turquia anunciou que a estenderá a Manbech, também sob o poder das YPG.

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