Aviões em desmantelamento servem de lar improvisado em Bangcoc

Concepción Domínguez e Ana Lázaro.

Bangcoc, 29 jan (EFE).- O nariz de um Boeing 747 aparece acima do muro de um descampado que fica em um subúrbio de Bangcoc e onde três aviões em desmantelamento servem de lar improvisado para uma família.

Leg é o encarregado de vigiar o local e receber os exploradores urbanos que se aventuram a visitar as fuselagens das aeronaves, atraídos por seu aspecto fantasmagórico.

O pagamento pela visita é de 200 bahts (cerca de US$ 6), que servem de investimento para as seis pessoas de poucos recursos que vivem ali.

Até quatro anos atrás, o local abrigava um restaurante que por sua falta de sucesso se viu obrigado a fechar as portas com apenas dois meses de funcionamento.

O prazo foi aproveitado pelos donos dos aviões para decidir estacionar ali por tempo indefinido as colossais estruturas, e deixá-las ao cuidado de Riem, uma tailandesa de 56 anos que é a chefe da família alojada no lugar.

Consultado pela Agência Efe, o escritório municipal do distrito de Bang Kapi, onde fica o descampado, não tem uma resposta precisa: "Não sabemos como os aviões chegaram porque é uma propriedade privada", disse um porta-voz desse distrito.

"Se o dono paga seus impostos, não temos nada para dizer", acrescentou, antes de revelar que a proprietária do terreno é a companhia Sahatap.

Contatada por telefone, uma funcionária da Sahatap declarou que "a pessoa que conhece o assunto não fica no escritório".

Em último caso, Riem se limita a confessar que foi designada para ser a guardiã dos aviões pelo preço de 7.000 bahts (pouco mais de US$ 223) por mês, dinheiro que destina em sua maioria para o tratamento da sua filha mais nova, que foi diagnosticada com um câncer.

A essa fonte de renda se soma o dinheiro que recebe dos curiosos que decidem visitar o pitoresco lugar, além da ajuda que de forma eventual lhe é dada pelos monges budistas, ainda que ela seja muçulmana.

A tristeza e indignação também tomam conta da avó quando fala do pequeno Pit, seu neto de oito anos, que outra das suas filhas lhe deixou para cuidar.

"Não sei o que vai ser dele, não pode ir ao colégio porque não tem um domicílio estabelecido nem tutores legais. Sua mãe o abandonou para ir embora com um homem", lamentou Riem.

O menino escuta atento, mas as confissões da sua avó não lhe tiram a alegria com que recebe os turistas, os quais em um inglês arranhado convida a entrar nas sujas cabines das aeronaves, que em algum momento passaram de ser de primeira classe a esconderijo de drogados.

A porta pela qual introduziam as malas se abre agora de par em par para receber os visitantes que entre teias de aranha escalam degraus íngremes que dão acesso à cabine principal.

Atualmente, se trata de um espaço cheio de grafites, janelas quebradas e máscaras de oxigênio jogadas pelo chão, que criam um ambiente similar ao de um filme de terror, um lugar perfeito para quem quer fazer fotos e publicá-las depois nas redes sociais.

O que para alguns é apenas uma divertida aventura de fim de semana para a família de Riem representa uma fonte de renda que lhes ajuda a sobreviver na capital tailandesa.

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