Cerca de 4 mil pessoas vivem nos cibercafés de Tóquio

Em Tóquio

Cerca 4 mil pessoas sem residência fixa vivem nos cibercafés de Tóquio, estabelecimentos abertos 24 horas por dia e que por um módico preço oferecem um espaço para dormir, segundo uma pesquisa do governo da capital japonesa.

Os dados publicados nesta terça-feira (30) mostram que 15 mil pessoas usam diariamente para dormir estes estabelecimentos, muito populares para jogar videogames e ver filmes, e para 4 mil delas, conhecidas como "os refugiados dos cibercafés", esses estabelecimentos são sua moradia habitual.

Segundo a pesquisa, realizada entre 2016 e 2017, cerca de 3 mil pessoas que dormem diariamente nos cibercafés são trabalhadores esporádicos que não contam com recursos suficientes para alugar um imóvel em Tóquio e que encontram nesses espaços uma alternativa econômica para pernoitar.

Com preços que vão de 1.200 a 1.500 ienes por noite (entre R$ 35 e R$ 45), os centenas de cibercafés que existem na capital oferecem todo o tipo de serviços, desde bebidas a computadores, televisões, serviço de aluguel de filmes e de venda de comida rápida.

Estes espaços de não mais de dois metros quadrados costumam ser equipados com uma cadeira reclinável, um computador e um colchonete, ainda que seu tamanho e preço possam variar dependendo do estabelecimento.

Um terço dos entrevistados afirmou que ficou sem lar após perder o emprego e que a falta de renda estável e os altos custos os impede de alugar um imóvel.

Entre este grupo, a maioria (38,5%) está na faixa dos 30 anos de idade e, segundo o relatório, muitos deles ficaram sem trabalho durante a crise econômica de 2008, enquanto aqueles que se encontram acima dos 50 anos foram afetados pelas dificuldades para competir com trabalhadores mais jovens.

"Não ganham o suficiente para ter um lugar onde viver, mas tampouco têm direito a auxílios, já que não recebem nenhuma renda", explicou Ren Ohnishi, porta-voz da ONG Moyai, em declarações ao jornal "Japan Times".

No total, cerca de 15 mil pessoas utilizam todos os dias estes estabelecimentos em Tóquio, 37,1% delas substituindo um hotel para viagens de empresas e a trabalho, enquanto que para 25,8% dos entrevistados estes locais se transformaram em sua única opção de moradia.

A última pesquisa sobre o uso dos cibercafés em nível nacional foi realizada pelo Ministério de Saúde, Trabalho e Conforto do Japão em 2007, e revelou que 5.400 japoneses foram forçados a transformar este tipo de estabelecimento em sua residência habitual.
 

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