Ativistas denunciam assassinatos de cães de rua em sedes da Copa de 2018

Arturo Escarda.

Moscou, 31 jan (EFE).- O governo da Rússia ordenou a criação de abrigos temporários para os cerca de 2 milhões de cães que vivem nas ruas das cidades-sedes da Copa do Mundo de 2018, mas ativistas denunciam um assassinato em massa desses animais.

"Todos os dias me ligam para denunciar o assassinato de cachorros. Destinaram muito dinheiro para a captura dos animais de rua, e a empresa que ganhou a licitação não esconde que eles estão morrendo", disse a diretora do Fundo Dino para a Defesa dos Animais na cidade de Volgogrado, Angela Makarova.

A antiga Stalingrado receberá em junho quatro partidas da fase de grupos do Mundial. E as autoridades se propuseram a retirar das ruas todos os animais sem dono para evitar que possam atacar os torcedores que irão aos jogos da competição.

"Eles atiram nos animais com escopetas de ar comprimido, carregadas com um veneno barato que provoca terrível sofrimento antes da morte. Os cães demoram meia hora para morrer, sentindo dolorosas convulsões e asfixia", disse Makarova.

A voluntária Nadezhda Sergueyeva e seus companheiros percorrem as ruas e as fábricas da industrial Volgogrado para atender os animais. Com dinheiro próprio, o grupo alimenta os cães, os vacina e coloca coleiras que indicam que eles não representam nenhum risco.

Em dezembro do ano passado, porém, o canil municipal, responsável por capturar os animais encontrados na rua, levou vários deles e os matou no mesmo dia, desrespeitando uma regra regional que determina o prazo de uma semana até que os donos ou voluntários apareçam para ficar com os animais.

"Quando liguei para o diretor dessa empresa no dia seguinte, ele me disse que os cachorros já não estavam mais lá", conta Nadezha.

As denúncias chegaram até a "Duma", o parlamento da Rússia, que pediu ao governo medidas para evitar o tratamento cruel aos cerca de 2 milhões de cachorros sem lar nas 11 cidades-sede da Copa.

"Recebemos denúncias de que em várias cidades do Mundial os animais estão sendo baleados em massa", revelou o chefe da Comissão de Meio Ambiente do Duma, Vladimir Burmatov.

Segundo o parlamento, o Kremlin respondeu com um pedido aos governos locais, exigindo que qualquer medida que seja considerada como "maus-tratos" aos animais seja coibida.

O governo federal quer a implementação dos abrigos temporários, mas, de acordo com os ativistas consultados pela Efe, algumas cidades preferem "matar para economizar".

"Recebemos denúncias sobre o assassinato em massa de animais em praticamente todas as cidades do Mundial, exceto Moscou", afirmou o presidente da Aliança de Defensores dos Animais, Yuri Koretskij, que promete apresentar em fevereiro um relatório com provas dos fatos.

"Na capital há muitos abrigos, mas as outras cidades não têm onde colocar esses animais e optam pelo mais fácil e barato", explicou.

Makarova, que administra um abrigo para quase 200 cães, confirma que Vologrado sempre recorreu à solução "mais drástica". No entanto, a situação está se agravando às vésperas do Mundial.

"Estão matando inclusive os animais vacinados e com coleira, para ampliar os resultados e justificar o dinheiro recebido", disse.

Mas a natureza parece resistir ao massacre, segundo a diretora do fundo. "As cadelas estão tendo muitos filhotes, 12, até 13 em sequência. E praticamente todos são fêmeas", comentou.

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