Deputado é detido por colaborar em "posse alternativa" de Odinga no Quênia

Nairóbi, 31 jan (EFE).- Um deputado da Assembleia Nacional do Quênia foi detido nesta quarta-feira por colaborar na autoproclamação do líder opositor Raila Odinga como "presidente do povo", informaram veículos de imprensa locais.

No ato, realizado ontem, o deputado Tom Joseph Kajwang apareceu com uma toga e uma peruca de advogado e se posicionou ao lado de Odinga enquanto este jurava o cargo, mas seu papel na cerimônia ainda não está claro.

O deputado, que também é advogado, foi detido precisamente na saída de um tribunal, onde fazia a defesa de um grupo de legisladores que entraram com um pedido de impugnação da decisão administrativa que determinou a redução de seus salários e bonificações, e foi transferido para as dependências do Departamento de Investigações Criminais.

Kajwang é deputado pelo distrito de Ruaraka, situado na capital, Nairóbi, que também abrange a comunidade carente de Mathare, um dos principais redutos do partido de Odinga e da coalizão da qual ele faz parte, a Super Aliança Nacional.

O governo queniano anunciou hoje a abertura de uma investigação sobre a cerimônia, que considera uma tentativa de golpe de Odinga, e especificou que a estenderia a "conspiradores e organizadores".

Em uma breve aparição diante de milhares de simpatizantes em um parque no centro de Nairóbi, Odinga se autoproclamou ontem "presidente do povo", apesar das advertências da Procuradoria de que ele poderia incorrer em crime de traição, que é punido com a morte, apesar de o país não executar nenhum preso desde 1987.

No entanto, em seu perfil oficial no Twitter, Odinga não utilizou esta fórmula não reconhecida pela Constituição, mas se descreveu como "presidente da República do Quênia", título que oficialmente pertence a Kenyatta após a vitória eleitoral na repetição das eleições presidenciais de outubro de 2017.

A Super Aliança Nacional não o reconhece como presidente legítimo já que boicotou as eleições, o que proporcionou uma vitória de Kenyatta com 98% dos votos.

De fato, o partido insiste em afirmar que Odinga venceu as eleições de agosto de 2017 - que foram impugnadas na Suprema Corte - com uma apuração alternativa ao líder opositor 8,1 milhões de votos contra 7,8 de Kenyatta.

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