Governo da Áustria quer fechar confraria que usa cânticos nazistas

Viena, 31 jan (EFE).- O chanceler federal da Áustria, Sebastian Kurz, anunciou nesta quarta-feira um "procedimento para dissolver" uma confraria de extrema-direita e pangermanista, editora de um livro de canções de conteúdo nazista e antissemita que glorifica o Holocausto.

O fechamento da polêmica fraternidade "Germania", muito próxima ao partido liberal FPÖ, dependerá agora do resultado de um procedimento administrativo.

Kurz, líder do partido popular ÖVP, destacou hoje que a decisão foi estipulada com o Ministério do Interior, dirigido por Herbert Kickl, um dos líderes mais influentes do FPÖ.

Nas duas últimas semanas, a política austríaca foi sacudida pelas revelações em torno da existência desse livro de canções da confraria, com sede na cidade de Wiener Neustadt, no Estado federado da Baixa Áustria.

A polêmica abalou principalmente o FPÖ, pois um dos vice-presidentes da "Germania" era Udo Landbauer, líder regional do partido na Baixa Áustria, que afirma que não sabia da existência desse tipo de canções.

"Deem gás, velhos alemães, que chegaremos aos sete milhões", era o trecho de um dos cânticos desse livro, que glorifica o genocídio de seis milhões de judeus europeus.

Landbauer, de 31 anos, e que era sócio dessa confraria desde os 15, renunciou ao seu cargo na "Germania", mas se recusa a deixar seu cargo político porque afirma desconhecer a existência dessas canções e nunca as escutou.

Nas eleições do último domingo na Baixa Áustria, o FPÖ, com Landbauer como líder, obteve 14,8% dos votos, quase o dobro das eleições anteriores.

Kurz disse hoje que os casos de antissemitismo nas últimas semanas na Áustria em torno de dirigentes do FPÖ são "repulsivos" e se mostrou "mais que consternado".

O presidente austríaco, Alexander Van der Bellen, exigiu a renúncia de Landbauer alegando sua responsabilidade como político, dando a entender que não acredita que o líder do FPÖ não sabia desses cânticos.

Kurz, por sua vez, pediu um esclarecimento rápido do ocorrido e que os responsáveis sejam julgados, já que glorificar o nazismo na Áustria é crime.

A Procuradoria da Baixa Áustria já iniciou uma investigação, incluindo uma revista nas instalações da "Germania" e o interrogatório de alguns membros.

O líder do FPÖ e "número dois" do governo, Heinz Christian Strache, insistiu hoje que rejeita qualquer mostra de antissemitismo e racismo, mas que aceita as explicações de Landbauer e, portanto, não exige sua renúncia.

Mas o FPÖ não é o único partido envolvido neste escândalo, que acontece apenas um mês depois da formação do novo governo na Áustria.

O opositor Partido Social-Democrata (SPÖ), que também exigiu a saída de Landbauer, anunciou ontem à noite que expulsou um de seus militantes por ser o autor das ilustrações do livro de canções antissemitas da confraria.

O FPÖ, que nas eleições de 2017 obteve 25% dos votos, é um partido criado nos anos 1950 por antigos oficiais nazistas.

Na semana passada, representantes da comunidade judaica da Áustria boicotaram um ato no Parlamento para lembrar o Holocausto em protesto pela aparição dessas canções.

Pelo menos 40% dos 51 deputados do FPÖ no Parlamento fazem parte de confrarias estudantis pangermanistas.

Desde sua chegada ao poder em dezembro, o FPÖ nomeou vários membros do alto escalão em ministérios e repartições públicas procedentes destas fraternidades.

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