May apoia expansão global da China em troca de maiores laços comerciais

Antonio Broto.

Pequim, 31 jan (EFE).- Os primeiros-ministros de China e Reino Unido, Li Keqiang e Theresa May, tiveram nesta quarta-feira um encontro onde o governante chinês afirmou que não haverá mudanças na relação bilateral após o "Brexit", e em troca conseguiu que Londres desse seu apoio expresso aos ambiciosos planos chineses de investimento global.

"Nossa relação não será modificada, apesar das mudanças de relações entre o Reino Unido e a União Europeia", disse Li na entrevista coletiva posterior ao encontro de pouco mais de uma hora entre os dois governantes, realizado no Grande Palácio do Povo de Pequim e que terminou com a assinatura de vários acordos bilaterais.

May defendeu que a saída do Reino Unido da UE, prevista para 2019, fará com que Londres "olhe mais para o exterior", e que nesse sentido a China é um importante aliado para aprofundar laços econômicos, deixando aberta a possibilidade de um futuro acordo de livre comércio entre as duas potências.

"Quando sairmos da UE, nos tornaremos um país capaz de operar políticas independentes para assinar acordos de livre-comércio com o resto do mundo", ressaltou a primeira-ministra britânica, acrescentando que quando o Reino Unido tiver "essa liberdade" será possível fazer "arranjos" com Pequim.

Como mostra da aproximação comercial que Londres procura com a China para "compensar" os efeitos "Brexit", Li e May anunciaram hoje um maior acesso de produtos britânicos ao mercado chinês, desde uma futura retirada do veto à carne de bovina do Reino Unido a uma maior entrada de produtos agrícolas e lácteos.

"A China é uma potência agrícola e temos fornecimento suficiente para o mercado interno, mas queremos dar aos consumidores mais opções de produtos de alta qualidade e estamos preparados para comprar mais do Reino Unido", disse a respeito o governante chinês.

May também apontou que a China abrirá seu mercado financeiro ao poderoso setor bancário britânico, e Li destacou que nas reuniões que empresários e funcionários do alto escalão da China e do Reino Unido terão durante esta visita oficial será analisada uma possível conexão das bolsas de Londres e Xangai.

Os dois também expressaram confiança quanto a assinatura nos encontros desta semana de acordos empresariais por um valor de 9 bilhões de libras (R$ 40 bilhões).

Em troca dos apoios econômicos da China com o Reino Unido após o "Brexit", May deu hoje pela primeira vez sua expressa autorização às Novas Rotas da Seda, o ambicioso projeto de investimento mundial em telecomunicações e infraestruturas chinesas, que já se traduz em obras em várias economias da Ásia e da África.

Apesar do receio de países como o próprio Reino Unido, já que alguns veem o "Plano Marshall chinês" como uma desculpa para aumentar sua influência política e estratégica, May afirmou que seu governo "dá as boas-vindas às oportunidades que geram as novas Rotas da Seda para dar prosperidade e crescimento estável".

Ainda que a primeira-ministra britânica não tenha participado da cúpula que Pequim sediou em maio do ano passado para promover esses planos, hoje ela defendeu que o Reino Unido foi um dos primeiros países a se unir ao Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas, a entidade que Pequim criou para custear uma iniciativa que já movimenta US$ 900 bilhões (R$ 2,84 trilhões).

Em sua primeira viagem oficial à China - embora já tivesse visitado o país em 2016 durante a cúpula do G20 de Hangzhou - May viaja acompanhada da maior delegação empresarial que o Reino Unido já levou ao gigante asiático, formada por representantes de 50 grandes empresas britânicas.

Os analistas veem esta viagem como uma mudança de rumo na política externa de May, geralmente mais reticente quanto a uma aproximação com a China do que o seu antecessor, David Cameron, para atenuar os efeitos negativos do "Brexit" e das árduas negociações com Bruxelas para sacramentá-lo.

O último governador britânico em Hong Kong, Chris Patten, pediu nesta semana a May que discutisse com os líderes chineses a crescente perda de liberdade dessa ex-colônia, mas na coletiva de imprensa nem ela nem Li mencionaram esse território, em uma aparente concessão que Londres fez para ganhar o apoio de Pequim.

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