Trump pretende divulgar relatório sobre abusos em investigação do caso Rússia

Washington, 31 jan (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , planeja divulgar um relatório elaborado pelo Partido Republicano que detalha abusos cometidos pelo Departamento de Justiça durante as investigações do chamado "caso Rússia".

A Casa Branca confirmou a decisão do presidente nesta quinta-feira, o que contraria o conselho do Departamento de Justiça. Segundo o jornal "The Washington Post", o órgão pediu a Trum para não publicar o relatório.

O documento pode dar a Trump um motivo para demitir o vice-procurador-geral dos EUA, Rod Rosenstein, que supervisiona o procurador especial Robert Mueller, responsável por investigar a interferência da Rússia nas eleições de 2016 e os vínculos dos funcionários do Kremlin com a campanha republicana.

Ontem, enquanto cumprimentava os congressistas que estavam no Capitólio para assistir ao seu primeiro discurso sobre o Estado da União, Trump prometeu ao republicano Jeff Duncan que publicaria o esperado relatório.

"Ah, sim, não se preocupe. Está 100% certo", respondeu Trump ao ser perguntado por Duncan, de acordo com um vídeo da conversa divulgado hoje por várias emissoras americanas.

Perguntada sobre o assunto durante uma entrevista na emissora "CNN", a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, repetiu o discurso oficial adotado até então, afirmando que "não há planos" para divulgar o documento. Ela ainda destacou que Trump não tinha sido informado sobre o conteúdo do relatório quando conversou com os congressistas no Congresso.

Mas, pouco depois, o chefe de gabinete da Casa Branca, John Kelly, disse à "Fox News" que o memorando republicano será publicado assim que os advogados de segurança nacional do presidente terminem de revisá-lo.

O Comitê de Inteligência da Câmara dos Representantes dos EUA aprovou ontem a divulgação do relatório, produzido por funcionários do congressista republicano Devin Nunes. A Casa Branca tem cinco dias para responder se permite ou não a divulgação do memorando.

Segundo a imprensa, o relatório alega que o ex-espião britânico que escreveu um famoso dossiê cheio de detalhes sórdidos sobre Trump, Christopher Steele, forneceu informações equivocadas ao FBI.

Com base nas informações de Steele, o FBI decidiu ampliar a vigilância sobre Carter Page, que então era assessor de política externa na campanha eleitoral de Trump. A suspeita era que ele atuava como agente russo. O pedido judicial para efetuar a espionagem teria sido assinado por Rosenstein.

Os democratas temem que Trump utilize o relatório para se livrar de Rosenstein e, mais para frente, do próprio Mueller.

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