Justiça rejeita argumentos de Assange contra sua ordem de detenção

Londres, 13 fev (EFE).- A Justiça britânica rejeitou nesta terça-feira os argumentos da defesa do ativista australiano Julian Assange, que pedia a suspensão da ordem de detenção que pesa sobre ele no Reino Unido por considerá-la uma medida "arbitrária, pouco razoável e desproporcional".

A Corte de Magistrados de Westminster já havia respaldado na semana passada que a polícia detenha Assange se deixar a embaixada do Equador em Londres, onde está refugiado desde 2012.

Os advogados do fundador do WikiLeaks sustentaram perante o tribunal que a decisão vai contra os "interesses da Justiça" e representa um castigo "desproporcional", argumentos que a juíza também rejeitou.

Assange, que divulgou milhares de documentos governamentais confidenciais através do portal, está recluso na legação diplomática equatoriana para evitar ser extraditado à Suécia, que lhe reivindicava por supostos crimes sexuais.

Estocolmo encerrou o caso e retirou a ordem de busca contra ele em maio do ano passado, mas a Justiça britânica continua pedindo que responda por não ter se apresentado perante um tribunal quando assim requeriam os termos da sua liberdade condicional, um crime que se castiga com uma pena máxima de um ano de prisão no Reino Unido.

Assange e sua defesa argumentaram, por sua parte, que se for detido poderia ativar-se uma ordem de extradição dos Estados Unidos, onde asseguram que enfrentaria múltiplas acusações por espionagem que poderiam acarretar a prisão perpétua.

A magistrada Emma Arbuthnot considerou hoje na sua sentença que a ordem de detenção contra o australiano é uma "resposta proporcional" perante sua ruptura da liberdade condicional, "inclusive quando o senhor Assange viu restringida sua liberdade durante vários anos".

"Os acusados em liberdade condicional em todo o país, assim como as pessoas que enfrentam uma extradição, se apresentam perante os tribunais para enfrentar as consequências das suas próprias decisões", alegou a juíza.

"Ele deveria ter a coragem de fazer o mesmo", acrescentou a magistrada, que considerou que "certamente não vai contra o interesse público" manter a ordem de detenção.

Ao saber da decisão, Assange afirmou através de Twitter: "Não parece certo. Até agora, a juíza está simplesmente defendendo as ações do Estado britânico".

O advogado Gareth Peirce, parte da equipe legal de Assange, disse à imprensa na saída do tribunal que ainda não decidiram se recorrerão da decisão perante instâncias superiores.

Em uma tentativa de desbloquear a situação de Assange no Reino Unido, o governo de Quito lhe concedeu em dezembro a nacionalidade equatoriana e pediu para ele um status diplomático.

O Ministério de Relações Exteriores britânico se negou, no entanto, a aceitar Assange como um agente diplomático, o que lhe teria permitido deixar a legação equatoriana sem ser detido.

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