Resort que promove turismo sexual gera indignação nas Filipinas

Atahualpa Amerise.

Manila, 14 fev (EFE).- "Não importa se você é velho ou gordo", "as filipinas são inseguras" e "adoram os brancos". Estes anúncios para atrair visitantes geraram polêmica nas Filipinas, onde o onipresente turismo sexual é cada vez menos tabu e inclusive objeto de brincadeiras do presidente, Rodrigo Duterte.

O Patrick's on the Beach, um pequeno resort da paradisíaca ilha de Siargao, no sudeste do país, incendiou as redes sociais filipinas pelo seu peculiar modo de atrair turistas ocidentais em busca de um parceiro.

"O nosso cliente mais velho tinha 75 anos e encontrou o seu doce amor de 21 anos na ilha de Siargao", afirmava o hotel na seção "Romance ao estilo filipino" de seu site, retirada do ar após causar indignação em massa no Facebook e no Twitter na semana passada.

A seção, dirigida a turistas que procuram um parceiro, explicava que "a maioria das filipinas preferem homens maiores e maduros", e "quanto mais brancos, melhor", já que "a pele escura é associada à classe baixa".

"Não importa se você é velho ou gordo como a metade da população ocidental. As mulheres aqui respeitam muito a idade e às vezes o peso é uma vantagem", rezava o anúncio. As filipinas "têm um grande problema de insegurança pelos seus narizes achatados e por isso gostam dos estrangeiros com um nariz longo".

O dono do resort, o alemão Andreas Mikoleiczik, lamenta e alega que "tiraram de contexto algumas frases" e o caso "se transformou em uma incrível e incontrolável loucura viral", com milhares de insultos, ameaças e denúncias contra sua pessoa, em um momento de especial conscientização social nas Filipinas sobre o fenômeno do turismo sexual.

"Como pode continuar aberto este resort? Vamos garantir que o porco que o gerencia tenha o que merece", reclama a arquiteta filipina de 37 anos V. M. em uma publicação no Facebook, compartilhada por centenas de internautas.

"Eu sempre peço aos turistas que tratem bem as mulheres filipinas e que sejam honestos com elas", se defende o empresário alemão, de 73 anos, que diz que o texto foi publicado no site do resort em 2004, uma bomba-relógio que demorou 13 anos para explodir.

Enquanto isso, autoridades locais abriram uma investigação na qual é cogitada a deportação de Mikoleiczic, estabelecido em Siargao há 15 anos com sua esposa filipina Elizabeth e quatro filhos, por considerar que promove visitas de turistas sexuais.

As Filipinas, em pleno auge como destino de férias - em 2017 o número de visitantes aumentou 11% -, competem com a Tailândia e o Vietnã como destino de turismo sexual e prostituição no sudeste da Ásia, segundo organizações locais.

"A pobreza endêmica, o desemprego, a indulgência ao aplicar as leis e o crescimento da indústria do turismo sexual contribuíram para os altos índices de prostituição no país", denuncia Paulo Fuller, diretor da fundação Renew, uma ONG filipina que ajuda as vítimas de tráfico de pessoas.

"Os turistas sexuais de outros países da Ásia, Estados Unidos, Austrália e Europa estão vindo em massa às Filipinas, onde podem explorar as jovens economicamente vulneráveis para fazer sexo", afirmou Fuller em entrevista à Agência Efe.

Iniciado nos anos 80 com as primeiras ondas de visitantes japoneses, o turismo sexual está pouco a pouco deixando de ser um tabu e gerando um debate social nas Filipinas, um país de profundas raízes católicas fruto de mais de três séculos de colonização espanhola.

O presidente do país, Rodrigo Duterte, conhecido pelos seus comentários fora do tom, brincou recentemente oferecendo "42 virgens a cada estrangeiro que nos visitar", e também recebeu uma enxurrada de críticas nas redes sociais e nos veículos de imprensa.

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