Ataques suicidas matam menos civis, mas fazem mais vítimas no Afeganistão

Baber Khan Sahel.

Cabul, 15 fev (EFE).- O número total de vítimas civis pelo conflito do Afeganistão diminuiu pela primeira vez em seis anos, com uma queda em 2017 de 9% em relação a 2016, embora haja cada vez mais mortos e feridos em atentados suicidas.

A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (Unama) apresentou nesta quinta-feira em Cabul o relatório de 2017 sobre vítimas civis no conflito afegão, em que revelou que no ano passado 3.438 civis morreram e 7.015 ficaram feridos, um número menor que o de vítimas de 2016 (11.434 - com 3.510 mortos e 7.924 feridos).

"Estas apavorantes estatísticas provêm de dados confiáveis sobre o impacto da guerra, mas os números sozinhos não conseguem capturar o horrível sofrimento causado às pessoas comuns, especialmente a mulheres e crianças", disse o chefe da Unama, Tadamichi Yamamoto, no relatório.

A diminuição em 2% dos mortos e em 11% dos feridos em relação a 2016 se deveu à redução do número de vítimas em combates em terra e à diminuição dos ataques com morteiros nas zonas mais povoadas, segundo a ONU.

Apesar da queda de 19% no número de vítimas civis devido aos combates, esta causa ainda representa 33% dos números totais.

A ONU expressou sua "profunda preocupação" com o aumento em 17% das vítimas de ataques suicidas e similares, que causaram 2.295 vítimas (605 mortos e 1.690 feridos), o número mais alto desde que a Unama começou a recopilar este tipo de dados, em 2009.

Os ataques suicidas e o uso de artefatos explosivos improvisados (IED, na sigla em inglês) representam 40% do total de afetados (1.229 mortos e 2.922 feridos) em 2017, o que se traduz na principal causa de vítimas civis no Afeganistão.

Yamamoto afirmou em entrevista coletiva que os insurgentes dizem atacar em nome dos interesses do Afeganistão, mas "matam seu próprio povo da maneira mais horrível, criando terror e sofrimento".

No ano passado, um atentado com um caminhão carregado com explosivos matou 150 civis em Cabul, onde neste ano o ataque ao Hotel Intercontinental e a explosão de uma ambulância-bomba causaram mais de 120 mortos.

"Como ONU, denunciamos esse tipo de ataques e pedimos aos elementos antigovernamentais que detenham os atos de violência dirigidos a civis e cessem os ataques indiscriminados", pediu o chefe da Unama.

Em 2017, 359 mulheres morreram no conflito afegão e 865 ficaram feridas, um aumento de 1% em relação ao ano anterior, embora o número de crianças afetadas em comparação com 2016 tenha caído em 10%, com 861 menores mortos e 2.318 feridos.

De acordo com o relatório, 65% das mortes de civis são consequência da ação de grupos contrários ao governo de Cabul: 42% ocasionadas pelos talibãs, 10% pelo Estado Islâmico (EI) e os 13% restantes por outros insurgentes ou não puderam ser confirmadas.

Outros 20% das vítimas civis foram atribuídas a tropas afegãs (16%), às forças internacionais desdobradas no Afeganistão (2%) e a outros grupos leais ao governo afegão (2%), enquanto a Unama não pôde conferir os 15% restantes.

O relatório também aponta que as operações aéreas das tropas afegãs e internacionais deixaram 295 civis mortos e 336 feridos, um aumento de 7% em relação a 2016.

Yamamoto fez um pedido a todas as partes para "incrementar" os esforços para alcançar um acordo de paz que ponha um fim ao conflito e destacou os esforços do governo afegão e da comunidade internacional para iniciar o processo de negociação.

"Obviamente o processo de paz será a solução para o conflito, algo que finalmente reduzirá as vítimas civis", disse o chefe da Missão da ONU no Afeganistão.

O porta-voz do Ministério da Defesa do país Dawlat Waziri afirmou durante a entrevista coletiva em Cabul que o governo afegão "está fazendo todo o possível" para evitar vítimas civis durante as operações militares.

"Em alguns casos atrasamos as nossas operações durante dias para evitar vítimas civis", disse por sua vez outro porta-voz do Ministério da Defesa, Najib Danish.

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