Cyril Ramaphosa é designado novo presidente da África do Sul

(Atualiza com juramento do cargo por Ramaphosa).

Joanesburgo, 15 fev (EFE).- Cyril Ramaphosa foi designado nesta quinta-feira novo presidente da África do Sul pela Assembleia Nacional em substituição de Jacob Zuma, que renunciou ontem à noite após um ultimato do seu partido.

Dado que nenhum outro candidato disputava o posto, o até ontem vice-presidente, Ramaphopsa, foi declarado automaticamente como novo chefe de Estado, sem necessidade de votação.

A proclamação foi feita pelo chefe do Tribunal Constitucional, Mogoeng Mogoeng, que presidia a sessão, tal como dita a Constituição.

Algumas horas depois, Mogoeng lhe tomou o juramento em uma pequena cerimônia de tom informal que representou o começo oficial do mandato de Ramaphosa.

O político tinha sido indicado pelo seu partido, o Congresso Nacional Africano (CNA), governante na África do Sul desde o fim do apartheid e majoritário na Assembleia.

Assim, este antigo sindicalista e ativista anti-apartheid se tornou, aos 65 anos, o quinto presidente da história democrática da África do Sul.

"Quando alguém é escolhido para este tipo de posição, basicamente se transforma em um servidor do povo da África do Sul", declarou Ramaphosa, em seu primeiro discurso após a eleição.

O novo presidente agradeceu a oportunidade e prometeu que, sob o seu comando, o interesse da África do Sul e de seu povo virá "primeiro" em tudo que se faça e que se comportará com "humildade" e "dignidade".

Além disso, se comprometeu a trabalhar para paliar a corrupção, melhorar a economia e buscar a unidade do país, ainda que tenha ressaltado que os detalhes das suas linhas de governo serão informados amanhã.

"Trabalharei muito duro para não decepcionar o povo da África do Sul", concluiu.

A sessão, no entanto, não esteve isenta de atritos, já que os principais grupos da oposição criticaram o trâmite, por considerar que o apropriado seria dissolver o parlamento e convocar eleições antecipadas.

"O nosso problema não é Jacob Zuma, mas o CNA", criticou Mmusi Maimane, líder do principal partido opositor, a Aliança Democrática.

Em consequência, Maimane pediu que se dê oportunidade a um "novo começo" escolhido pelo povo e criticou que Ramaphosa, como vice-presidente no governo, não tenha atuado contra a deterioração da economia, nem contra os escândalos de corrupção de seu superior.

"Lidemos com o nosso momento atual e trabalhemos lado a lado para melhorar as vidas do nosso povo", lhe respondeu depois o já presidente eleito.

A posse de Ramaphosa põe fim oficialmente à "era Zuma" na África do Sul, marcada pelos escândalos de corrupção.

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