Ex-candidato presidencial do Egito é preso por críticas ao governo

Cairo, 15 fev (EFE).- O ex-candidato à presidência do Egito e político islamita, Abdel Moneim Aboul Fotouh, foi detido nesta quinta-feira e terá que permanecer em prisão preventiva por 15 dias por ter criticado o governo e incitado o boicote às eleições presidenciais de março, informaram fontes oficiais.

A Promotoria Suprema de Segurança do Estado ordenou hoje a detenção de Aboul Fotouh após acusá-lo de "divulgar informações falsas que prejudicam os interesses nacionais e a unidade e a paz social" e de tentar "mudar o atual sistema de governo pela força", entre outras acusações, segundo a agência oficial de notícias "Mena".

Aboul Fotouh, líder do partido Misr al Qawiya (Egito Forte), foi detido junto com "numerosos suspeitos" do mesmo partido, que é de tendência islamita moderada.

O político competiu nas primeiras eleições que aconteceram em 2012 após a revolução egípcia, mas, desde o golpe de Estado de 2013 contra o governo da Irmandade Muçulmana, vinha mantendo um perfil discreto.

A detenção do ex-candidato acontece pouco depois que ele concedeu uma entrevista ao canal de televisão do Catar "Al Jazeera" - que é proibido no Egito -, na qual criticou a repressão do governo do presidente Abdul Fatah al Sisi e pediu que o povo boicotasse as eleições de março, que qualificou de "farsa".

Por isso, Aboul Fotouh também é acusado de "levantar suspeitas sobre a transparência das eleições presidenciais" na entrevista concedida a "meios de comunicação hostis ao Estado egípcio", segundo o jornal estatal "Al Ahram".

Aboul Fotouh não é o primeiro político opositor a convocar um boicote às eleições, nas quais Sisi concorrerá a um segundo mandato sem nenhum oponente de destaque.

O único rival de Sisi no pleito será um aliado seu, Musa Mustafa Musa, depois que outros possíveis candidatos foram detidos, ou se retiraram da disputa alegando irregularidades no processo.

Aboul Fotouh integrou a Irmandade Muçulmana até 2011, dois anos antes que esse grupo islamita fosse declarado terrorista pelo atual governo.

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