FBI revela que foi alertado há meses sobre intenções de autor de massacre

Parkland (EUA), 15 fev (EFE).- A Polícia Federal Investigativa dos Estados Unidos (FBI, na sigla em inglês) foi alertada há cinco meses que uma pessoa chamada Nikolas Cruz, que acabou sendo o responsável pelo massacre que resultou na morte de 17 pessoas na Flórida nesta quarta-feira, afirmou em comentários no YouTube que queria se transformar em um "atirador escolar profissional".

O agente do FBI encarregado do escritório em Miami, Rob Lasky, disse nesta quinta-feira que, em setembro do ano passado, seu pessoal analisou uma denúncia sobre um comentário publicado em uma conta no YouTube de um usuário no Mississipi, no qual o mesmo ameaçava realizar disparos em uma escola, sem mais detalhes.

No entanto, Lasky indicou em uma coletiva de imprensa hoje que foi "impossível localizar" quem fez o comentário e determinar se o mesmo tinha vínculos com o suspeito do massacre de ontem.

"Não havia qualquer informação no comentário que indicasse um momento, um lugar e a identidade real da pessoa que o fez", disse Lasky sobre a conta do dono do vídeo foi postado o comentário, Ben Bennight, que foi entrevistado por agentes do FBI e voltou a ser contatado após o massacre, segundo a imprensa local.

A polícia segue trabalhando para conhecer os motivos que levaram Cruz, de 19 anos, a abrir fogo contra professores e alunos da escola secundária Marjory Stoneman Douglas, da qual ele foi expulso no ano passado por comportamento violento.

Entre os 15 feridos que foram levados para hospitais próximos, três permanecem em estado crítico, enquanto os demais estão em condição estável ou já receberam alta.

A procuradora-geral da Flórida, Pam Bondi, disse emocionada que o suspeito "assassinou brutalmente" 17 pessoas, algumas delas de 14 anos, e que fará o possível para que se faça justiça ao massacre na escola secundária de Parkland, que deve receber a visita do presidente Donald Trump nos próximos dias.

O governador da Flórida, Rick Scott, assegurou nesta quinta-feira que se reunirá com congressistas estaduais na próxima semana para que não haja uma nova tragédia como esta.

Para isso, Scott quer garantir que as crianças tenham segurança nas escolas e que as pessoas com "problemas mentais" não tenham acesso às armas.

Nesse mesmo sentido se manifestou o superintendente das escolas de Broward, Robert Runcie, que considera que deve haver uma "conversa real" para um maior controle de armas e mais fundos para instituições que atendem a jovens com problemas mentais.

As investigações indicam que Cruz ativou o alarme de incêndio e começou atirar contra alunos e professores nos corredores quando estes começaram a sair de suas salas. Posteriormente, o suspeito seguiu alguns deles que tinham se escondido nas salas de aula e voltou a usar o fuzil semiautomático que tinha comprado legalmente no ano passado.

Isaac Briones, aluno da nona série, disse à Agência Efe que se escondeu em uma sala de computadores logo que ouviu os disparos, e permaneceu ali durante duas horas, até que um policial o resgatou.

Já David Hoog, aluno de último ano, disse à imprensa que suas maiores lembranças do ocorrido são a expressão de "pânico" nos olhares de seus colegas e a forma como o porteiro do colégio se transformou em um "herói" ao salvar as vidas de muitos alunos e evitar que uma "maré humana" se dirigisse apavorada para o local onde o suspeito estava realizando os disparos.

Graças à legislação da Flórida, que permite que maiores de idade possam adquirir armas de fogo, o jovem de 19 anos conseguiu comprar no ano passado de maneira legal um fuzil semiautomático AR-15, a versão civil do M-16 militar.

A Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), o maior grupo de lobby contrário ao controle de armas de fogo nos EUA e que destina milhões de dólares para proteger a Segunda Emenda da Constituição, que garante o direito de portar armas, denominou o AR-15 como o "fuzil mais popular" do país.

Todas as vítimas foram identificadas e seus familiares informados, mas os nomes não foram divulgados, segundo o chefe de polícia de Broward, Scott Israel. No entanto, sabe-se que uma das vítimas é o treinador de futebol americano e vigia da escola, Aaron Feis, que morreu ao utilizar seu corpo para proteger vários jovens.

Outra vítima identificada é um professor de Geografia, que se sacrificou para salvar a vida de seus alunos, conforme explicou à imprensa a estudante Kelsey Friend.

O superintendente das escolas de Broward qualificou essas pessoas de "heróis", pois se sacrificaram para evitar que o massacre fosse ainda pior.

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