Protestos contra o governo deixam ao menos 10 mortos na Etiópia

Adis-Abeba, 15 fev (EFE).- Pelo menos 10 pessoas morreram e outras 11 ficaram feridas em enfrentamentos com as forças de segurança durante uma greve de três dias na região de Oromia, na Etiópia, informaram nesta quinta-feira fontes governamentais.

A greve levou ao fechamento de estabelecimentos comerciais, escolas, e à suspensão dos transportes e de outros serviços públicos na região do maior grupo étnico do país, Oromia, que resultou em enfrentamentos com as forças de segurança.

"A greve se tornou violenta em algumas áreas, causando a morte de até 10 pessoas e ferindo outras 11", disse o subdiretor do Escritório de Comunicação de Relações Exteriores do governo de Oromia, Eumy Abajemal.

O subdiretor explicou que, apesar de a greve ter terminado e os serviços públicos já estarem funcionando, "ainda há algumas cidades que não voltaram à normalidade".

Durante os dias de greve, sete presos políticos da região foram libertados, entre os quais se encontra um dos líderes do principal partido da etnia Oromo, o Congresso Federalista Oromo (OFC, na sigla em inglês), Bekele Gerba.

Em 15 de janeiro, o procurador-geral do país, Getachew Ambaye, anunciou a libertação de 528 presos políticos, entre os quais estava o líder opositor Merera Gudina, líder do OFC.

Além disso, no dia 26, as autoridades da região etíope de Oromia anunciaram que libertariam 2.345 presos políticos depois que o presidente regional Lemma Megersa concedeu os indultos.

Segundo a imprensa local, a Etiópia libertou ontem mais 746 presos, entre os quais está um jornalista e um líder da oposição, na terceira rodada dos indultos que o governo anunciou no princípio de janeiro como um gesto de "consenso nacional".

Todas as libertações fazem parte da anistia anunciada pela EPRDF, uma coalizão de quatro partidos regionais de diversas etnias.

De acordo com o governo etíope, o objetivo desta medida é construir "um consenso nacional" e "ampliar o campo de jogo democrático", após anos de denúncias de grupos de defesa dos direitos humanos e organizações internacionais contra a Etiópia por encarcerar milhares de políticos, ativistas e jornalistas, entre outros.

As manifestações começaram em novembro de 2015, para protestar contra um plano de expansão urbanística da capital Adis-Abeba em partes de Oromia, que fica no entorno da mesma.

Os oromo, um povo tradicionalmente agrícola e seminômade, se levantaram então contra o que consideravam uma ameaça a seus meios de vida.

A Comissão de Direitos Humanos da Etiópia informou que 669 pessoas foram assassinadas entre agosto de 2016 e março de 2017 e indicou que as forças de segurança fizeram uso excessivo da força em alguns casos.

O premiê da Etiópia, Hailemariam Desalegn, renunciou hoje a seu cargo, onde estava há quase seis anos, e também de seu posto de presidente da coalizão governante.

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