Etiópia declara estado de emergência após renúncia do primeiro-ministro

Adis-Abeba, 16 fev (EFE).- O governo da Etiópia declarou nesta sexta-feira o estado de emergência no país, depois que o primeiro-ministro, Hailemariam Desalegn, renunciou ontem ao cargo, segundo informou a imprensa local.

O Conselho de Ministros decidiu que o estado de emergência entra em vigor a partir de hoje, mas não indicou quanto durará nem que restrições trará consigo, segundo afirmou a emissora de televisão pública nacional "EBC".

O gabinete ordenou o estado de exceção "depois dos recentes acontecimentos no país que ameaçam a segurança" e considerou "crucial" a promulgação da medida, já que "as ameaças de segurança não podem ser abordadas com os procedimentos de segurança ordinários", disse em comunicado.

O ministro de Defesa, Siraje Figessa, declarou que amanhã concretizará publicamente os detalhes do estado de emergência.

Hailemariam Desalegn renunciou ontem ao cargo, no qual estava há quase seis anos, assim como ao posto de presidente da coalizão governante, a Frente Democrática Revolucionária Etíope (EPRDF), "para ser parte da solução da preocupante situação que atravessa o país".

Pelo menos dez pessoas morreram nesta semana em confrontos com as forças de segurança durante uma greve de três dias na região de Oromia, onde vive um dos principais grupos étnicos do país.

Essa crise provocou disputas entre os quatro partidos regionais que formam a coalizão governante EPRDF, sobretudo entre os dois que representam Oromia e Amhara e a dominante Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF).

O governo, pressionado pelos protestos, ordenou nesta sexta-feira a libertação de outros 380 presos políticos, principalmente da região de Amhara, após terem sido indultados com as acusações retiradas, segundo a imprensa local.

Ontem, 746 presos políticos foram postos em liberdade, entre eles um jornalista e um líder da oposição, na terceira rodada dos indultos que o governo anunciou em janeiro como gesto de "consenso nacional" e com o qual já libertou centenas de pessoas.

O governo suspendeu o estado de exceção em agosto do ano passado, depois de nove meses de alerta por causa de protestos antigovernamentais que acabaram com centenas de mortos e mais de 20 mil detenções.

O estado de exceção foi determinado após diversos protestos nas regiões de Oromia e Amhara, durante o festival Irrecha (Dia de Ação de Graças do povo Oromo), de 2 de outubro de 2016.

Na onda de protestos ocorridos em 2016, pelo menos 800 pessoas morreram no país africano, segundo dados da Anistia Internacional.

O regime etíope enfrenta um movimento de contestação antigovernamental sem precedentes nos últimos anos. Além da etnia oromo, os amara, o segundo grupo maioritário, também se consideram marginalizados pelo governo.

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