Turquia e EUA anunciam esforços para recompor suas relações

Ancara, 16 fev (EFE).- Turquia e Estados Unidos concordaram nesta sexta-feira na necessidade de recompor suas danificadas relações bilaterais e anunciaram uma série de mecanismos para acertar uma situação que Ancara reconheceu estar em um momento crítico.

"A nossa relação está num momento crítico. Ou a finalizamos ou a colocamos em ordem", advertiu o ministro de Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu, em pronunciamento ao lado do seu homólogo americano, Rex Tillerson, no qual anunciaram mecanismos para restaurar a confiança.

Cavusoglu afirmou que na reunião de Tillerson ontem com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, foi tomada a decisão de endireitar as relações, enquanto o secretário de Estado se referiu à melhoria da coordenação na Síria, atualmente o principal motivo de disputa entre os dois países.

O ministro turco voltou a referir-se ao apoio que Washington oferece às milícias curdo-sírias Unidades de Proteção do Povo (YPG), na sua luta contra o jihadista Estado Islâmico (EI), e que Ancara considera como um grupo terrorista e uma ameaça para sua segurança.

"A nossa preocupação se refere diretamente a que nossos cidadãos morram pelos projéteis lançados pelas YPG de Afrin", disse o ministro, em relação ao enclave no norte da Síria dominado pelas milícias curdas contra as quais a Turquia lançou uma ofensiva militar no final de janeiro.

Cavusoglu acusou de novo os EUA de não terem cumprido sua promessa de expulsar as YPG de Manbij, outra região fronteiriça com a Turquia em poder das milícias curdas.

"Vamos trabalhar sobre isto. Depois que as YPG abandonarem Manbij, podemos avançar com os Estados Unidos baseados na confiança", condicionou o ministro.

Por sua parte, Tillerson insistiu que o apoio dos EUA às milícias curdas tem como objetivo derrotar o EI.

"Manbij é um tema no qual temos que colaborar. É uma cidade estratégica. Era importante expulsar o EI. Os EUA querem ter certeza que está sob o controle das nossas forças", destacou.

O chefe da diplomacia americana garantiu que os dois países atuarão juntos na Síria, apoiando o processo de paz promovido pela ONU e que os dois perseguem os mesmos objetivos: acabar com os jihadistas, conseguir uma Síria democrática e unida e o retorno dos refugiados.

Os dois dirigentes tocaram em outros pontos de fricção, como a exigência turca pela extradição de Fetullah Gülen, o pregador exilado nos EUA que Ancara acusa de organizar o fracassado golpe de Estado de julho de 2016, e perante o que Tillerson comentou que a Justiça terá que analisar as provas.

Por fim, Tillerson também expressou sua preocupação com vários cidadãos americanos detidos na Turquia e pediu sua libertação.

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