Estado de emergência na Etiópia durará seis meses

Adis-Abeba, 16 fev (EFE).- O Governo da Etiópia informou neste sábado que o estado de emergência decretado ontem, depois que o primeiro-ministro, Hailemariam Desalegn, renunciou na quinta-feira, durará seis meses e poderá ser ampliado a outros quatro, informou a imprensa local.

"O conselho de ministros se reuniu de forma urgente ontem para fazer um acompanhamento dos eventos no país que ameaçam a segurança e a ordem constitucional", explicou o ministro de Defesa, Siraj Fegessa, em uma coletiva de imprensa.

O gabinete ordenou o estado de emergência "após os recentes eventos no país que ameaçam a segurança", e que lhe fez considerar "crucial" promulgá-lo, já que "as ameaças de segurança não podem ser abordadas com os procedimentos de segurança ordinários", disse em um comunicado.

Hailemariam Desalegn renunciou na quinta-feira de seu cargo, que ocupava há quase seis anos, bem como de seu posto de presidente da coalizão governante, a Frente Democrática Revolucionária Etíope (EPRDF), "para ser parte da solução da preocupante situação que atravessa o país".

Pelo menos dez pessoas morreram nesta semana em enfrentamentos com as forças de segurança durante uma greve de três dias na região de Oromia, onde vive um dos principais grupos étnicos do país.

Esta crise provocou disputas entre os quatro partidos regionais que conformam a coalizão governante EPRDF, sobretudo entre os dois que representam Oromia e Amhara e a dominante Frente de Liberdade do Povo Tigray (TPLF).

Desde o começo do ano, o Governo indultou cerca de mil presos políticos em um gesto de "consenso nacional".

O Governo levantou o estado de emergência em agosto, após nove meses de alerta por causa de protestos antigovernamentais que acabaram com centenas de mortos e mais de 20 mil detenções.

É a segunda vez em menos de dois anos que o Executivo etíope adota esta medida extrema.

O Governo declarou estado de emergência após diversos protestos nas regiões de Oromia e Amhara, durante o festival Irrecha (o Dia de Ação de Graças do povo Oromo), de 2 de outubro de 2016.

Na onda de protestos ocorrida em 2016, pelo menos 800 pessoas morreram no país africano, segundo dados da Anistia Internacional. EFE

or/ff

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