EUA discordam "profundamente" de estado de emergência declarado na Etiópia

Adis-Abeba, 17 fev (EFE).- A Embaixada dos Estados Unidos na Etiópia se mostrou neste sábado em "profundo desacordo" com a decisão do governo do país africano de decretar o estado de emergência durante seis meses, depois que o primeiro-ministro, Hailemariam Desalegn, renunciou ao cargo na quinta-feira.

"A declaração do estado de emergência prejudica os passos positivos que têm sido dados para criar um espaço político inclusivo, como a libertação de milhares de prisioneiros", afirmou a embaixada americana em comunicado publicado hoje.

Os EUA consideram que a Etiópia deve enfrentar seus desafios com reformas democráticas, diálogo e processos políticos, e não "com a imposição de restrições", por isso pediu ao Executivo que "reconsidere a medida e identifique outras formas de proteger vidas e propriedades".

O governo etíope decretou o estado de exceção "depois dos últimos eventos no país que ameaçam a segurança".

Hailemariam Desalegn renunciou na quinta-feira do cargo que ocupava há quase seis anos, assim como do posto de presidente da coalizão governante, a Frente Democrática Revolucionária Etíope (EPRDF, na sigla em inglês), "para ser parte da solução da preocupante situação que o país atravessa".

Pelo menos dez pessoas morreram nesta semana em enfrentamentos com as forças de segurança durante uma greve de três dias na região de Oromia, onde vive um dos principais grupos étnicos do país.

A crise provocou disputas entre os quatro partidos regionais que formam a coalizão governante EPRDF, sobretudo entre os dois que representam as regiões de Oromia e Amhara, e a dominante Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF, na sigla em inglês).

Desde o início do ano, o governo etíope ofereceu indultos para cerca de mil presos políticos em um gesto de "consenso nacional".

O governo da Etiópia suspendeu o estado de exceção em agosto, depois de nove meses de alerta por causa de protestos antigovernamentais que resultaram em centenas de mortes e mais de 20 mil detenções.

Esta é a segunda vez em menos de dois anos que o Executivo etíope adota essa medida extrema.

O governo declarou o estado de exceção após diversos protestos nas regiões de Oromia e Amhara, durante o festival Irrecha (Dia de Ação de Graças do povo oromo), em 2 de outubro de 2016.

Na onda de protestos registradas em 2016, pelo menos 800 pessoas morreram no país africano, segundo dados de Anistia Internacional.

O regime etíope enfrenta um movimento de contestação antigovernamental sem precedentes nos últimos anos, ao qual, além da etnia oromo, se juntaram os amaras, o segundo grupo majoritário, que também se consideram marginalizados pelo governo.

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