Turquia acusa EUA de apoio a grupo terrorista e defende ofensiva na Síria

Munique (Alemanha), 17 fev (EFE).- O primeiro-ministro da Turquia, Binali Yildirim, voltou a defender neste sábado a ofensiva de seu país contra as milícias curdo-sírias Unidades de Proteção Popular (YPG, na sigla em curdo) em território sírio e acusou os Estados Unidos de apoiarem um grupo terrorista ao cooperar com os curdos.

"O que estamos fazendo é proteger as fronteiras da Otan, que é a fronteira sul da Turquia, enquanto outro membro da Otan está cooperando com uma organização terrorista, que representa uma ameaça para o nosso país e nossas fronteiras, com o pretexto de lutar contra o Estado Islâmico (EI)", opinou Yildirim.

Esse argumento foi um dos eixos de seu discurso na Conferência de Segurança em Munique, na Alemanha, cujo objetivo era convencer seus aliados europeus de que a Turquia deve lutar contra duas grandes ameaças terroristas: as YPG e o grupo liderado pelo clérigo turco exilado Fethullah Gülen, que o governo responsabiliza pela tentativa fracassada de golpe de Estado em 2016.

O primeiro-ministro turco defendeu a "eliminação" de todos os membros do EI, mas advertiu que "enquanto isto acontece, não se deve criar outra organização terrorista".

"Os EUA estiveram cooperando com as YPG em uma tentativa de erradicar o EI, mas, de fato, as YPG são o braço na Síria de uma organização terrorista contra a qual a Turquia luta há quatro décadas", comentou o premiê em referência ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla em curdo).

"Primeiro foi a Al Qaeda, depois a Frente al Nusra, depois o Estado Islâmico; ninguém sabe qual será o próximo nome. A solução é não fazer distinções entre os terroristas", opinou Yildirim.

Para uma paz duradoura, o político turco afirmou que é preciso olhar para os processos de Sochi (Rússia) e Astana (Cazaquistão), impulsionados por Moscou para conseguir um cessar-fogo, e reunir em uma conferência em Genebra todos os atores principais - os membros da coalizão, a ONU, a Rússia, o Irã e a Turquia - para buscar uma solução de futuro.

Yildirin quis deixar claro que seu país não é quem promove a guerra na Síria e lembrou que acolheu 3,5 milhões de refugiados, lutou contar o EI e impediu a entrada de 5.800 combatentes estrangeiros procedentes da Europa.

"A Turquia garante a segurança da Europa", assegurou Yildirim, após indicar que o número de refugiados que chegavam há dois anos ao litoral europeu a cada dia, entre os quais havia potenciais terroristas, caiu de 2.500 para 70. "Queremos reconhecimento", acrescentou o premiê turco.

Sobre o grupo de Fethullah Gülen, Yildirim assegurou que se trata de mais uma organização terrorista e de uma "ameaça séria" não só para a Turquia, pois o movimento tem membros ativos em vários países europeus.

O primeiro-ministro criticou os questionamentos relativos à democracia em seu país e assegurou que "a Turquia é um Estado de Direito como a Alemanha e como os EUA".

"Ninguém tem o direito de questionar o Estado de Direito em outro país", ressaltou Yildirim, que, mesmo depois da libertação de um correspondente alemão ontem, foi criticado por manter cerca de 150 jornalistas na prisão.

Yildirim lembrou que a Turquia enfrentou uma tentativa de golpe de Estado e garantiu que, "pela segurança" do país e de seus cidadãos, foram tomadas "todas as medidas necessárias".

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