Washington e Moscou discordam sobre interferência russa nas eleições dos EUA

Juan Palop

Munique (Alemanha), 17 fev (EFE).- Washington e Moscou mostraram suas diferenças neste sábado na Conferência de Segurança de Munique (MSC) em torno das supostas interferências russas nas eleições dos EUA após as acusações formalizadas na sexta-feira pelo procurador-especial, Robert Mueller.

O assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Herbert Raymond "H." McMaster, qualificou neste fórum de "incontestáveis" as evidências apresentadas por Mueller contra 13 cidadãos russos e três entidades russas, que foram acusadas pelo procurador-especial de lançar "uma guerra informativa".

O ministro russo de Relações Exteriores, Sergey Lavrov, garantiu disse nesta conferência, embora em um ato separado, que as acusações sobre o envolvimento russo eram meras "palavras" perante a ausência de evidências.

McMaster foi além e acusou o Governo russo de tentar, por diferentes meios, "minar as democracias no Ocidente".

A seu julgamento, as evidências do envolvimento russo são agora "públicas" e "incontestáveis", graças aos avanços técnicos que permitiram acompanhar as atividades na internet e traçar os ataques até chegar em sua origem.

O assessor de Segurança Nacional ressaltou, além disso, se dirigindo ao Governo russo que a tentativa de polarizar as sociedades ocidentais promovendo grupos extremistas tanto na direita como na esquerda "não funciona".

O que está provocando, disse, é que está unindo a imensa maioria do espectro político contra a Rússia, como ocorreu no Senado americano quando foram aprovadas de forma majoritária as últimas sanções contra Moscou.

Lavrov, por sua vez, só se referiu a esta questão ao ser interrogado a respeito depois de oferecer um discurso e então se limitou a dizer que não tinha uma resposta e que até que não se apresentassem "fatos", tudo era "só palavras".

O ministro russo denunciou em seu discurso a divulgação do "mito irracional da ameaça russa" no Ocidente que se propagou nos últimos anos e apontou que queria ver a marca do Kremlin em todos os tipos de eventos, "do Brexit ''ao referendo catalão".

Lavrov atacou o conjunto do relato ocidental sobre a situação atual das relações exteriores, da Síria à Ucrânia, e acusou a União Europeia, os EUA e a Otan de mentiras e violações da legalidade internacional.

Além disso, afirmou que a Rússia é a primeira interessada em acabar com o "conflito interno" da Ucrânia e que deseja uma UE forte dentro de uma arquitetura internacional equilibrada onde os EUA, a UE e a Rússia cooperem no âmbito da segurança.

Mueller, encarregado de investigar a trama russa, acusou ontem treze cidadãos e três entidades da Rússia de ter lançado "uma guerra informativa" na Internet para dividir a sociedade americana e influenciar nas eleições de 2016.

"Os acusados supostamente fizeram uma guerra informativa contra os EUA com a meta estabelecida para divulgar desconfiança contra os candidatos e contra o sistema político", afirmou em entrevista coletiva o "número dois" do Departamento de Justiça, Rod Rosenstein, que supervisiona esta investigação.

Segundo as pesquisas, os acusados começaram a operar em 2014 e seu objetivo era "semear a discórdia" no sistema político dos EUA, incluídas as eleições,

Entre as supostas operações figurou, por exemplo, dar apoio ao agora presidente, o republicano Donald Trump, e prejudicar à candidata democrata, Hillary Clinton.

O documento de acusação estabelece que alguns dos envolvidos interagiram com americanos associados com a campanha de Trump, cujos nomes não menciona, e que não se deram conta que estavam sendo manipulados.

Mueller ocupa desde maio de 2017 o cargo de procurador-especial, desde onde investiga a ingerência russa e os supostos laços entre esse país e a campanha presidencial de Trump.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

UOL Newsletter

Receba por e-mail as principais notícias sem pagar nada.

Quero Receber

UOL Cursos Online

Todos os cursos