Jovens reivindicam maior controle de armas nos EUA após massacre na Flórida

Lorenzo Castro E.

Miami, 18 fev (EFE).- Os jovens, especialmente os alunos da escola de ensino médio de Parkland (Flórida) onde um atirador cometeu um massacre na última quarta-feira, assumiram protagonismo para reivindicar um maior controle de armas nos Estados Unidos.

Esse sentimento de frustração e raiva se viu refletido nas vozes dos estudantes da escola Marjory Stoneman Douglas, que no sábado clamaram por uma "mudança" durante uma manifestação em Fort Lauderdale, a cerca de 40 quilômetros de Parkland, e que teve a jovem Emma González, de 18 anos, como seu rosto mais visível.

Em seu emotivo discurso, a estudante exigiu ação dos congressistas para modificar os regulamentos sobre o uso de armas e, assim, prevenir novos massacres em escolas e universidades.

"Nós os estudantes aprendemos algo, se você não estuda, vai fracassar. E, neste caso, se ninguém faz nada ativamente, as pessoas continuarão morrendo", afirmou a jovem diante das cerca de mil pessoas que compareceram à concentração, em frente à sede dos tribunais federais.

"Se tudo o que nosso governo e presidente podem fazer é enviar pensamentos e orações, então está na hora de as vítimas se tornarem os agentes das mudanças que necessitamos", manifestou a jovem, que previu que sua geração liderará a transformação que permitirá que o massacre na Marjory Stoneman Douglas seja "o último" em uma escola.

Em declarações ao jornal "Miami Herald" publicadas neste domingo, Emma afirmou que manifestações como as de ontem se repetirão nos próximos meses e que os jovens vão se envolver cada vez mais na política, porque a regulamentação sobre o acesso às armas "tem que mudar".

Por ora, a Marcha das Mulheres, o grupo que realizou manifestações em defesa dos direitos das mulheres, fez uma convocação para a realização de protestos em todo o país no dia 14 de março, junto a estudantes e professores de escolas.

Além disso, a Rede para a Educação Pública convocou um "Dia Nacional de Ação" para 20 de abril, quando completam 19 anos do massacre em Columbine, no Colorado, no qual dois estudantes com armas de fogo mataram 12 alunos da escola e um professor.

As vozes com pedidos de ação se multiplicaram a partir da quarta-feira, o dia em que Nikolas Cruz, de 19 anos, entrou nas dependências da Marjory Stoneman Douglas com um fuzil semiautomático e matou 17 pessoas.

"Estamos perdendo nossas vidas enquanto os adultos estão brincando por aí", opinou a também estudante Cameron Kasky à emissora de notícias "CNN".

Já David Hogg, de 17 anos e editor do jornal da escola onde ocorreu o massacre, disse à mesma emissora que é necessária "uma ação permanente" para salvar "a vida de milhares de jovens".

Durante o ataque, Hogg se escondeu no armário de uma sala junto com outros colegas e, em meio à escuridão, começou a entrevistá-los com a câmera de seu telefone para deixar os congressistas a par da "necessidade de reformas" para evitar outro episódio similar.

A escola Marjory Stoneman Douglas, que permanece fechada desde o massacre, abrirá suas portas na próxima quinta-feira e permitirá que o corpo docente e administrativo volte às instalações "para o fim da semana", informou hoje o distrito escolar do condado de Broward.

O presidente Donald Trump, que neste fim de semana está em seu clube privado em Mar-a-Lago, 60 quilômetros ao norte de Parkland, tem se mantido distante dos campos de golfe, algo que não é comum durante suas estadias no sul da Flórida.

Segundo o jornal "Washington Post", fontes próximas do governante afirmaram que essa atitude foi uma forma de guardar "respeito" às 17 vítimas do massacre.

Na sexta-feira, Trump visitou os feridos no ataque em um hospital local e, no sábado, escreveu no Twitter que seus rivais democratas não quiseram aprovar uma legislação para aumentar o controle de armas durante o governo de Barack Obama.

O presidente também criticou o FBI, a polícia federal investigativa do país, por não ter notado "os muitos sinais enviados pelo autor do massacre na escola da Flórida", pois seus agentes estão muito ocupados "tentando provar que houve uma conspiração russa" em sua campanha durante as eleições.

Na sexta-feira, o FBI reconheceu que cometeu um erro ao não ter seguido os protocolos oportunos quando foi alertado em 5 de janeiro sobre o comportamento agressivo de Nikolas Cruz, o que levou o governador da Flórida, Rick Scott, a pedir a saída do diretor desse corpo policial, Christopher Wray.

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