Administração Trump é de tão baixa categoria que não conspira, diz escritor

Madri, 19 fev (EFE).- O jornalista Michael Wolff, autor do livro "Fire and fury", considera que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a sua equipe não poderão ser acusados de conspiração em relação à trama russa, porque são "delinquentes de tão baixa categoria" que não são capazes de cometer um delito assim.

Wolff apresentou nesta segunda-feira em Madri o livro "Fire and fury" (Fogo e fúria) baseado nos testemunhos de altos cargos da Casa Branca sobre Donald Trump -"uma figura desordenada e fora de controle", diz -, uma obra que já teve um milhão de exemplares vendidos em apenas três dias nos EUA e que será levada ao cinema.

O jornalista e escritor considera que o procurador-especial que investiga a suposta ingerência russa nas eleições presidenciais norte-americanas se inclinaria pelo delito de obstrução à Justiça por parte de Trump e não de conspiração porque tudo o que fizeram "aos tropeços".

"São um bando que não têm nem ideia do que estão fazendo", recalcou Wolff, que reflete os primeiros meses de Trump na Casa Branca através de cerca de 200 entrevistas com o próprio presidente, seus assessores mais destacados e outras fontes conhecedoras dos dados da campanha eleitoral em 2016 do agora chefe de Estado.

Segundo Wolff (Paterson, Novo Jersey, 1953), a Donald Trump, a quem chamou de "palhaço e estúpido", encanta "fazer ameaças com a guerra", apesar de não lhe interessar "entrar em uma guerra", porque precisa de "muito enfoque e uma capacidade para lidar com muita informação, que não é algo natural" do presidente norte-americano.

"Se não tem tempo para escutar teus generais", não se pode ir à guerra, segundo o escritor, que considera que para isso é necessário ter disciplina.

A guerra é a ação que mais informação necessita e agora é conduzida por dados, disse Wolff, para quem Trump se rodeou de generais porque lhe conferem autoridade, mas não pode falar com eles porque, quando estes "entram na sala com um 'power point', ele sai".

No entanto, disse que sempre existe um risco, sobretudo quando uma pessoa é tão imprevisível como Trump, que não lê nada, por isso que é impossível fazer com que tenha acesso à informação.

"É literalmente como um muro, esse homem vive na sua própria realidade", recalcou.

Wolff também fez referência a todos os altos cargos que abandonaram a Administração norte-americana nos últimos tempos e assegurou que, enquanto antes trabalhar na Casa Branca era o topo de uma carreira, agora é prejudicial e os que passam por ali se transformam em "párias".

"Trump rompe com a ideia de que um presidente deveria ser, de o que a política deve ser", indicou Wolff, que destacou que o presidente norte-americano é incapaz de administrar os poderes que possui.

O autor de "Fogo e fúria" opina que a sociedade já pensa que Trump é uma "experiência fracassada" e que não haverá possibilidades de um segundo mandato.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

UOL Newsletter

Receba por e-mail as principais notícias sem pagar nada.

Quero Receber

UOL Cursos Online

Todos os cursos