Turquia adverte Assad para que não proteja milícias curdas

Ancara, 19 fev (EFE).- O governo da Turquia advertiu nesta segunda-feira que continuará sua ofensiva contra a milícia curda Unidades de Proteção Pupular (YPG) em Afrin, no norte da Síria, e informou ao regime de Bashar al Assad, que chegou a um acordo com esses grupos, que nada pode parar o exército turco.

"O regime (de Assad) pode entrar em Afrin ou não. Tudo bem se entrar para expulsar o PKK/YPG. Mas se entrar para protegê-los, então nada poderá nos parar, ninguém pode deter o exército turco", advertiu o ministro das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, em entrevista coletiva na Jordânia, transmitida por veículos de imprensa turcos.

A milícia curdo-síria YPG e o governo de Damasco alcançaram um acordo para o desdobramento das tropas governamentais em áreas do enclave de Afrin, alvo de uma ofensiva da Turquia.

As YPG são aliadas dos Estados Unidos na luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

"Lançamos esta operação para expulsar o PKK/YPG de Afrin. Sempre respeitamos a integridade territorial da Síria", insistiu o chefe da diplomacia durante uma entrevista ao lado do chanceler da Jordânia, Ayman al Safadi.

Cavusoglu insistiu no discurso do governo turco, que não pretende se apossar do território sírio, e argumentou que a Turquia é "quem defende com mais força a integridade territorial da Síria".

O governo de Ancara considera as YPG como uma organização gêmea do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), a guerrilha curda que está há três décadas enfrentado o Estado turco.

No último dia 20 de janeiro, as Forças Armadas turcas lançaram uma ofensiva terrestre contra Afrin, um enclave curdo-sírio na fronteira com a Turquia.

A Turquia ameaçou estender o ataque a Manbij, uma província síria nas mãos das YPG onde há soldados da coalizão internacional, liderada pelos EUA, que luta contra o EI.

Ancara afirmou em repetidas ocasiões que não permitirá a aparição de um Estado curdo na sua fronteira e justifica sua operação militar alegando que as YPG ameaçam sua segurança.

"Isto se aplica a Afrin, a Manbij e a todas as regiões ao leste do rio Eufrates", afirmou hoje Cavusoglu.

Em relação ao acordo entre as milícias curdas e o regime sírio, a ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos apontou hoje que o pacto contempla o desdobramento dos soldados leais ao presidente sírio, Bashar al Assad, na fronteira entre Afrin e a Turquia para impedir a chamada das tropas turcas.

Enquanto isso, continuam os combates entre a milícia curdo-síria e as forças turcas em várias partes de Afrin, já que, segundo o Observatório, a Turquia tenta avançar antes da aplicação do acordo. EFE

dt-as/cs

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