Advogado vinculado à campanha de Trump se declara culpado de mentir ao FBI

De Washington

  • Susan Walsh

O advogado Alex Van Der Zwaan se declarou nesta terça-feira (20) culpado de ter mentido ao FBI a respeito dos contatos que teve com membros da campanha eleitoral do agora presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um relatório que elaborou sobre a ex-primeira-ministra ucraniana, Yulia  Timoshenko.

Van Der Zwaan compareceu hoje perante a juíza Amy  Berman Jackson da Corte do Distrito de Columbia e se declarou culpado das acusações apresentadas contra ele pelo promotor especial Robert Mueller, que investiga a suposta ingerência russa nas eleições de 2016 nos EUA.

Na audiência, Van Der Zwaan admitiu ter mentido ao FBI sobre os contatos que teve com Rick Gates, que foi o "número dois" da campanha de Trump, e que trabalhou com o ex-chefe de campanha do magnata, Paul Manafort, para o ex-presidente ucraniano Viktor  Yanukovich (2010-2014), vinculado à Rússia e rival político de Timoshenko.

Segundo o promotor Mueller, o acusado elaborou para o Ministério de Justiça da Ucrânia, em 2012, durante o governo de Yanukovich, um relatório sobre a "legitimidade" dos processos legais contra Timoshenko, que foi condenada em 2011 a sete anos de prisão por abuso de poder e corrupção, embora tenha saído da prisão em fevereiro de 2014.

O documento foi elaborado para responder às "preocupações graves" que tinham sido expressadas por governos ocidentais, incluindo os EUA, sobre o julgamento de Timoshenko, que sempre qualificou seu caso de perseguição política.

Segundo disse o representante da promotoria especial, o acusado fez declarações "intencionalmente falsas" ao FBI e ao escritório de Mueller quando foi interrogado em 3 de novembro de 2017 e mentiu sobre os contatos com Gates sobre o relatório sobre Timoshenko.

Concretamente, Van Der Zwaan não revelou ao FBI que a última vez que tinha se comunicado com Gates por telefone foi em agosto de 2016 e também não disse que se viram pessoalmente pela última vez em 2014.

Van Der Zwaan também não explicou aos agentes do FBI que "secretamente" tinha gravado conversas que teve com Rick Gates e com um indivíduo cujo nome não foi revelado pelo promotor especial e que é identificado em seu documento de acusação como "pessoa A".

Essa é a primeira vez que o promotor especial Mueller apresenta acusações contra um advogado dentro da investigação da trama russa. A pena máxima por mentir ao FBI, no caso, é de cinco anos de prisão.

Van Der Zwaan trabalhou para o prestigiado escritório de advogados Skadden  Arps, com sede em Nova York e descrito pela revista "Forbes" como "o mais poderoso de Wall Street", e é genro de German  Khan, um poderoso empresário nascido na Ucrânia e que fez vários negócios com o setor energético russo.

Com Van Der Zwaan já são 19 as pessoas acusadas pelo promotor Robert Mueller, que investiga os possíveis laços entre membros da campanha de Trump e o governo russo, o qual as agências de inteligência dos EUA acusam de interferir nas eleições de 2016.

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