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Internacional

Líder de partido independentista catalão "foge" da Justiça espanhola

20/02/2018 09h13

Genebra, 20 fev (EFE).- A dirigente da CUP Anna Gabriel decidiu ficar na Suíça e não ir a Madri, onde tinha que prestar depoimento perante o Supremo Tribunal pelo processo independentista na Catalunha, ao considerar que não teria um "julgamento justo" na Espanha.

"Não irei a Madri", assegurou Gabriel, dirigente da CUP (radicais independentistas de esquerda) em entrevista ao jornal suíço "Les Temps", na qual acrescenta que na Suíça poderá proteger melhor os seus direitos.

"Estou sendo perseguida pela minha atividade política e a imprensa governamental já me declarou culpada", afirmou a ex-deputada da CUP na entrevista, na qual sustentou que, "como não terei um processo justo no meu país, busco um país que pode proteger os meus direitos ".

"Compreendi que tinha que ir embora. Não sou a única à qual espera pela prisão; todo o governo (catalão) está ameaçado", indicou.

Gabriel criticou recentes vazamentos nos meios de comunicação espanhóis de um relatório da Guarda Civil no qual era descrita, segundo ela, como uma "ativista feroz".

A ex-deputada tinha que prestar depimento perante o juiz Larena por um possível crime de rebelião no processo independentista, por causa do comitê estratégico que dirigiu as ações contempladas no documento "Enfocats", considerado o roteiro da independência.

Gabriel rejeita energicamente estas acusações. "Sempre fiz campanha a favor do referendo, mas pacificamente. A questão da Catalunha deveria poder ser resolvida politicamente, mas as autoridades espanholas querem aplacar o independentismo através da repressão", acrescenta.

A dirigente da CUP denunciou ao "Le Temps" o ambiente "tenso como nunca" em Barcelona, e sustenta que o Governo espanhol "não faz nada para garantir nossa segurança frente à violência dos fascistas".

Por não comparecer perante o Supremo, Gabriel se arrisca a ser alvo de uma ordem de extradição ou comissão rogatória, mas seu advogado na Suíça, Oliver Peter, considera a ameaça de uma extradição pouca provável, já que a Espanha retirou sua solicitação no caso do ex-presidente da Generalitat, Carles Puigdemont.

Puigdemont permanece na Bélgica foragido da Justiça espanhola, que o investiga por crimes de rebelião e sedição, entre outros, por promover o processo independentista e, embora a princípio a Justiça espanhola tenha emitido uma ordem europeia de detenção, esta foi retirada posteriormente.

A CUP tinha dez cadeiras no anterior parlamento catalão e foi fundamental no processo independentista, embora nas últimas eleições esse número tenha ficado reduzido a quatro.

Segundo o advogado de Gabriel, sua cliente não teriasum processo justo na Espanha, já que os membros do Tribunal em Madri "são próximos ao poder e não oferecem nenhuma garantia de independência e nem de imparcialidade".

"A minha cliente está sendo perseguida por motivos políticos, o que transforma uma solicitação de extradição em ilícita", opina o advogado.

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