AI denuncia "implacável" repressão da dissidência na Turquia

Istambul, 22 fev (EFE).- O estado de emergência vigente na Turquia há um ano e meio formou durante 2017 o cenário de uma "implacável" repressão da dissidência, segundo denunciou a Anistia Internacional (AI) quinta-feira.

Essa repressão é direcionada principalmente contra jornalistas, ativistas políticos e defensores dos direitos humanos e fez desaparecer "em grande escala as críticas ao governo nos meios de comunicação audiovisual e impressa", enfatizou o relatório anual da organização.

O documento lembra que a dissidência turca "ficou fundamentalmente confinada aos meios de comunicação on-line", embora esses também tenham sofrido bloqueios administrativos e desde abril do ano passado o acesso à Wikipédia esteja censurado.

Entre os presos pelo trabalho político, a AI destaca nove deputados do opositor Partido Democrático dos Povos (HDP) - esquerdista e pró-curdo - e 60 prefeitos de uma formação aliada.

Além disso, ressalta que mais de 50 mil pessoas estiveram todo o ano em prisão preventiva por suposta relação com a "Organização Terrorista Fethullah Gülen (FETÖ)", como Ancara define a confraria do pregador islâmico turco Gülen, exilado nos Estados Unidos, e à qual atribui a fracassada tentativa de golpe de julho de 2016.

"Só uma pequena minoria" dessas pessoas foram acusadas de realmente participar levante, enquanto as restantes apenas são acusadas de terem vínculos com a confraria, frequentemente por supostamente terem instalado no celular um aplicativo que era utilizado pelos seguidores de Gülen.

Entre os "mais de cem jornalistas e trabalhadores de meios de comunicação que estavam em prisão preventiva ao término do ano", a AI destaca três do jornal laico "Cumhuriyet". Outros oito funcionários do mesmo veículo foram postos em liberdade ao longo do ano.

Também continuavam atrás das grades Ahmet Altan, do jornal fechado "Taraf", o seu irmão Mehmet Altan e a jornalista curda Zehra Dogan, enquanto o próprio presidente da AI na Turquia, Taner Kiliç, está preso desde junho de 2017, acusado de vínculos com a confraria de Gülen.

Pelo terceiro ano consecutivo, as autoridades turcas proibiram a marcha do orgulho LGBT em Istambul, "alegando motivos espúrios de segurança", segundo o relatório.

No lado positivo, a organização aponta que as denúncias por torturas da polícia caíram a respeito dos primeiros meses depois da tentativa de golpe de 2016 e que não houve atentados em massa contra a população civil depois do ocorrido em 1º de janeiro de 2017 em Istambul, atribuído ao grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

No entanto, não foi solucionado o problema das 500 mil pessoas que foram deslocadas de seus lares no sudeste da Anatólia pelos confrontos com o proscrito Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), a guerrilha curda.

Apesar das iniciativas para melhorar a vida dos 3,3 milhões de sírios refugiados na Turquia, a ONG defensora dos direitos humanos denuncia casos de devoluções coletivas, que teriam afetado cerca de 200 iraquianos e 300 sírios.

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