Presidente do Peru é ameaçado de investigação se não aceitar ser interrogado

Lima, 26 fev (EFE).- A comissão parlamentar que investiga as implicações no Peru na Lava Jato, ameaçou nesta segunda-feira o presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, em incluí-lo como investigado se nos próximos dez dias não escolher uma data para ser interrogado como testemunha.

"Quando um convidado, como testemunha, se nega a comparecer perante a comissão, dificulta o desenvolvimento da mesma. Portanto, pode passar à condição de investigado", disse a congressista do partido fujimorista Força Popular, Rosa Bartra, presidente da comissão investigadora.

No requerimento enviado a Kuczynski, a comissão também o incita a apresentar as informações sobre suas contas bancárias e declarações de impostos no Peru e nos Estados Unidos que ele mesmo se comprometeu a entregar, segundo Bartra.

A parlamentar fujimorista lembrou que se a comissão o incluir entre os investigados poderá solicitar o levantamento dos seus segredos constitucionalmente protegidos como o bancário, tributário, mercado de ações e o telefônico. "Para uma investigação, não há limitações", completou.

Rosa Bartra lembrou que a comissão da Lava Jato enviou seis convocações ao presidente, das quais só obtiveram resposta em duas ocasiões.

Na primeira, Kuczynski disse que responderia às perguntas dos congressistas por escrito, mas nunca pessoalmente, pois chamou a comissão de "circo".

Em dezembro, quando o Congresso propôs uma moção para destitui-lo, o presidente anunciou sua disposição de comparecer perante o grupo parlamentar mas, após seguir no cargo, disse que não faria isso antes que a Promotoria interrogasse o ex-diretor no Peru da Odebrecht, Jorge Barata, que está previsto para aconteceu nesta terça e quarta-feira no Brasil.

Bartra indicou que a comissão que preside remeteu ao promotor da Nação (procurador-geral), Pablo Sánchez, um documento interrogatório elaborado por vários legisladores para que seja levado em consideração no interrogatório de Barata, responsável pelas propinas entregues pela Odebrecht no Peru.

Kuczynski deve responder por supostamente ter se beneficiado com os US$ 782 mil cobrados à Odebrecht por trabalhos em sua empresa de consultoria Westfield Capital entre 2004 e 2007, quando era ministro do Governo do ex-presidente Toledo e a companhia era administrada pelo empresário chileno Gerardo Sepúlveda.

Também para cerca de 140 transferências bancárias em contas de Kuczynski que supostamente o envolvem com a Odebrecht, Westfield e First Capital, a empresa de consultoria de Sepúlveda, segundo um relatório que o Banco de Crédito do Peru (BCP) entregou à Promotoria citada por veículos de imprensa locais.

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