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Sobe para 11 os refugiados congoleses mortos durante protestos em Ruanda

27/02/2018 10h46

Kigali, 27 fev (EFE).- O número de refugiados congoleses mortos após os combates com a polícia de Ruanda durante os protestos contra a redução das rações alimentícias, segundo a última apuração facilitada à Agência Efe pela Agência da ONU para os Refugiados (Acnur).

Um porta-voz do escritório desta instituição em Ruanda, que não quis se identificar, explicou à Efe que esta "tragédia" poderia ter sido evitada "se as forças de segurança do Governo ruandês tivessem feito as coisas com calma", e condenou a "inaceitável força excessiva exercida contra os refugiados".

Segundo o documento da Acnur, oito refugiados perderam a vida na cidade de Karongi e outros três no acampamento de Kiziba, onde muitos dos 17 mil refugiados congoleses que estão refugiados no recinto exigem retornar ao país para não morrer de fome perante a carestia alimentícia.

"A Acnur pede às autoridades que se abstenham de continuar utilizando a força e exige uma investigação sobre as circunstâncias destes trágicos incidentes", acrescenta.

Por enquanto, a Polícia de Ruanda só confirmou a morte de cinco refugiados congoleses, a existência de 20 feridos e 15 detenções por supostamente ter atacado agentes com pedras, paus e projéteis metálicos.

Na sexta-feira, a porta-voz da Acnur, Cécile Pouilly, afirmou que a instituição está "comovida e afetada" pelas mortes.

Além disso, a organização pediu aos líderes dos refugiados que tratem de evitar novos enfrentamentos e que respeitem as leis e negociem pacificamente para encontrar soluções às suas queixas.

No dia 20, um grupo de refugiados de Kiziba, próxima à fronteira com a República Democrática do Congo, marchou até os escritórios da Acnur para protestar pelo corte de 25% nas porções alimentícias devido à falta de fundos.

A Polícia negou que tenha usado munição real, apesar das informações de alguns dos refugiados que ficaram feridos por balas, e afirmou que os manifestantes se negaram a aceitar as opções oferecidas pela Acnur e pelo Executivo ruandês.

Em outro comunicado prévio, a Acnur lamentou que somente tenha alcançado 2% dos cerca de 99 milhões de dólares (80,5 milhões de euro) que necessita para apoiar aos refugiados em Ruanda em 2018.

Se não conseguir um maior apoio dos doadores, poderia haver ainda mais reduções de alimentos.

Ruanda acolhe mais de 173 mil refugiados da RDC e do Burundi em seis acampamentos.