ANP acusa Israel de querer abolir presença palestina em Jerusalém

Genebra, 28 fev (EFE).- O ministro das Relações Exteriores da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Riyad al Maliki, denunciou nesta quarta-feira que Israel pretende acabar com a presença da identidade palestina em Jerusalém, algo que, segundo ele, fica evidente com a decisão de cobrar taxas às igrejas cristãs.

Maliki discursou hoje no segmento de alto nível da 37ª sessão ordinária do Conselho de Direitos Humanos da ONU e criticou as supostas políticas de Israel para apagar a presença palestina em Jerusalém, "que é, e sempre será, a capital do Estado palestino", afirmou Maliki.

"O que estamos vendo é a tentativa de fazer os símbolos árabes desaparecerem de Jerusalém, sejam muçulmanos ou cristãos. Israel quer uma mudança da identidade de Jerusalém, e de seu caráter demográfico e histórico", acrescentou o ministro palestino.

Maliki lembrou "a ilegalidade" que representa a imposição de taxas às igrejas cristãs, o que fez com que as autoridades eclesiásticas tomassem uma medida extrema ao fecharem ao público o Santo Sepulcro durante três dias.

"O que fizeram é uma violação ao 'status quo' da cidade e à santidade dos lugares. Israel quer abolir a presença dos palestinos na cidade, tanto muçulmanos como cristãos, o que representa abolir a identidade de Jerusalém", insistiu o ministro palestino.

Nesse sentido, Maliki denunciou que a mudança anunciada da embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém significa, na prática, que Washington considera a Cidade Santa como capital de Israel, "algo que viola a lei internacional e dezenas de resoluções da ONU".

Além disso, o ministro denunciou que este movimento americano vai contra o direito à autodeterminação do povo palestino e apenas "reforça as violações contínuas dos direitos dos palestinos por parte de Israel".

Nesse contexto, o chanceler palestino pediu apoio à comunidade internacional para a causa palestina, "já que ocupação e paz nunca estão unidos".

É por isso que, explicitamente, Maliki solicitou à comunidade internacional que redobre seus esforços para poder estabelecer um diálogo de paz e, ao mesmo tempo, boicote efetivamente qualquer produto que provenha dos assentamentos ilegais.

Nesse âmbito, o ministro pediu ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos que publique sem demora a lista de empresas que trabalham ou colaboram com os assentamentos.

Recentemente, tal escritório anunciou que identificou a 206 companhias que colaboraram de alguma maneira com a construção e a manutenção de assentamentos israelenses nos territórios palestinos ocupados, que são proibidos pela lei internacional, então a publicação de seus nomes pode eventualmente levar a um boicote internacional.

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