O candidato à presidência da Rússia que ameaça atacar os EUA

Ignacio Ortega.

Moscou, 28 fev (EFE).- Não há outro político como o ultranacionalista Vladimir Zhirinovsky na Europa. Candidato à presidência da Rússia pela sexta vez, ele afirma que, caso vença as eleições, lançará um ataque preventivo contra os Estados Unidos e acabará com todos os opositores.

"Sou contra o candidato do Kremlin, ou seja, Putin. Mas sou o mais experiente. Na Europa, só Jean-Marie Le Pen se candidatou tantas vezes quanto eu", disse Zhirinovsky em entrevista à imprensa estrangeira no Parlamento.

Na Rússia não se imagina um pleito sem Zhirinovsky, que se candidatou pela primeira vez ao Kremlin em 1991, nas eleições que coroaram Boris Yeltsin como o primeiro presidente democraticamente eleito da história da Rússia.

Aos 71 anos, Zhirinovsky continua discursando para as massas com a mesma agressividade em relação ao Ocidente, cheio de referências à grandeza imperial da Rússia e uma aversão ao comunismo da qual se orgulha sempre que tem oportunidade.

"Putin foi comunista. (A jornalista Ksenia) Sobchak é filha de comunista. Dos oito candidatos, sou o único que nunca esteve associado ao comunismo", afirma.

Zhirinovsky acredita que tem o recorde de discursos públicos, que ele calcula em "mais de 20 mil horas", pronunciados "em cada cidade russa", mas nas pesquisas para as eleições presidenciais de 18 de março aparece com apenas 6% das intenções de voto.

"Como em todos os países, o candidato do Kremlin tem garantido o apoio de 30% dos eleitores, e se tiver algum êxito na política interna ou exteria pode chegar a 50%. O resto são eleitores descontentes. Eu pretendo receber seu apoio", afirma.

Embora o Partido Liberal Democrático, ao qual é filiado, tenha sido acusado de xenofobia e antissemitismo, Zhirinovsky tem um papel crucial na hora de garantir a legitimidade da mais que certa vitória de Putin.

A imprensa afirma há anos que Zhirinovsky é na realidade um agente da KGB, mas ele segue sem papas na língua.

"Se eu for presidente, seremos obrigados a fazer um ataque preventivo para acabar com as ameaças contra a Rússia. O meu ataque será terrível e acabará de uma vez por todas com a América. Esse país não voltará a ameaçar ninguém", disse.

Zhirinovsky ressaltou que "nunca" permitirá que se repita o ocorrido em 22 de junho de 1941, quando as tropas nazistas surpreenderam Stalin ao invadirem a União Soviética.

Sem deixar de falar profusamente durante uma hora, Zhirinovsky denunciou que os EUA têm planos de iniciar "a Terceira Guerra Mundial dentro de cinco ou seis anos".

"O plano já está pronto, as tropas mobilizadas, os mísseis preparados e os submarinos a par de seus itinerários. Estão na última fase dos preparativos", acrescentou.

O candidato previu que a guerra começará com um confronto entre russos e americanos na Síria, e que "as sanções são o início da guerra, no âmbito econômico, e as contínuas acusações contra a Rússia no campo da propaganda".

"Só falta pressionar o botão. Pois eu apertarei primeiro. E os EUA não terão tempo para reagir. Querem acabar primeiro com a China e depois com a Rússia. Não permitirei. Não suportaremos que continuem nos humilhando e insultando. Começando em 19 de março", proclamou.

Zhirinovsky ameaçou provocar tecnologicamente um "inverno interminável" na Europa, o que causaria a morte por inanição do continente e uma migração em massa para a Rússia, e prometeu acabar com o fluxo de mulheres russas para o Ocidente.

"Claro, as nossas são bonitas e capazes, e as suas não sabem nem cozinhar nem cuidar dos seus maridos", destacou.

O político advertiu que se os ucranianos cogitarem atacar as regiões pró-russas de Donetsk e Lugansk quando ele for presidente, ordenará invadir todo o país vizinho.

Em caso de vitória, ele prometeu que também não teria piedade do que chamou de "quinta coluna" e que acusa de ser patrocinada pelos EUA.

"Se for eleito presidente, toda a quinta coluna será detida em um prazo de duas horas: o canal 'Dozhd', a emissora 'Eco' de Moscou, o jornal 'Novaya Gazeta', além de (o líder opositor) Alexei Navalny. Não mais de 50 pessoas. (O candidato comunista, Pavel) Grudinin também", afirmou.

Zhirinovsky negou que na Rússia aconteça há anos uma involução democrática e disse que esse é um fenômeno mundial.

"Nos EUA ganhou Donald Trump; na França, Macron; na Catalunha quase aconteceu um levante contra a Espanha. É o mundo que está frágil, não só a Rússia", concluiu.

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