R.Unido deve compensar pessoas que sofreram abusos após a Segunda Guerra Mundial

Londres, 1 mar (EFE).- A chamada Investigação Independente dos Abusos Sexuais a Crianças (IICSA, por sua sigla em inglês) pediu nesta quinta-feira ao Governo britânico que compense economicamente mais de 2 mil pessoas que emigraram do Reino Unido após a II Guerra Mundial, quando eram menores, e sofreram abusos sexuais em seus países de destino.

Nos 25 anos posteriores ao fim da disputa mundial, milhares de crianças de até cinco anos foram enviadas ao exterior a instituições ou famílias situadas em países dentro do Reino da Comunidade de Nações (Commonwealth) como Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Rodésia do Sul (atual Zimbabué).

Muitos deles suportaram situações que incluíram abusos físicos e emocionais, negligências e em muitos casos abuso sexual, além de períodos de fome e uma inadequada educação, segundo detalhes da investigação, estabelecida em 2014 pela primeira-ministra britânica, Theresa May, quando era titular de Interior.

O relatório aponta que o Governo do Reino Unido deveria oferecer uma compensação às vítimas por uma "política defeituosa" e a soma total a receber deve ser "igual para cada pessoa afetada", ainda que o documento não estipule um número concreto.

"A maioria destas crianças que emigraram, morreu. Isto significa que em muitos casos o Governo perdeu a oportunidade de oferecer uma compensação àqueles afetados por ele", indica investigação.

"De todas maneiras, cerca de 2 mil (daquelas) crianças seguem vivas hoje, por isso é essencial que todos os sobreviventes recebam uma compensação", acrescenta.

Uma das vítimas descreveu a experiência durante o período migratório como "uma tortura, mais do que um abuso" e explicou que foi fechado em um local conhecido como "a masmorra", sem água e comida durante dias.

"Em uma ocasião obrigaram um grupo de 15 crianças a ver como matavam um cavalo que eles tinham como mascote, como forma de castigo", indica o relatório, composto por 160 páginas.

Os Governos britânico e australiano já se tinham desculpado por estes abusos em 2009 e 2010.

A investigação pede ao Governo do Reino Unido que estabeleça um esquema compensatório "sem demora", no qual são esperados que os pagamentos comecem a ser realizados nos próximos 12 meses.

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