Japoneses pedem a renúncia de primeiro-ministro envolvido em escândalo

Tóquio, 13 mar (EFE).- Mais de mil pessoas se reuniram na noite de segunda-feira, diante da residência oficial do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, para pedir sua renúncia e a do ministro das Finanças, Taro Aso, pelo suposto encobrimento de um escândalo de favores.

As ruas próximas do chamado Kantei se encheram de palavras de ordem como "Mentiras nunca mais" ou "Todos os membros do Gabinete devem se demitir" para pedir a renúncia dos dirigentes depois que Aso admitiu que seu ministério manipulou documentos ligados a um caso de suposta ajuda financeira e administrativa para uma instituição privada.

Em resposta aos pedidos de renúncia que ocorreram desde a revelação, Aso, quem também detém o cargo de vice-primeiro-ministro, reiterou hoje sua intenção de seguir liderando a investigação e não renunciar, em declarações aos veículos de imprensa, após uma reunião do Gabinete.

O escândalo é protagonizado por Moritomo Gakuen, uma polêmica instituição educacional que promovia idéias ultranacionalistas, que em 2016 adquiriu um terreno de propriedade estatal em Osaka, por um preço aproximadamente dez vezes mais barato do que seu valor de mercado, e que tem vínculos com Abe e sua esposa, Akie.

De acordo com uma investigação interna, mais de uma dezena de documentos relacionados com a venda foram reescritos desde a Finanças, depois que o caso foi descoberto em fevereiro de 2017 e apresentados no Parlamento como prova para desvincular à Administração do caso, uma manipulação que levantou suspeitas de encobrimento.

"O gabinete do primeiro-ministro está culpando o Ministério das Finanças. Vamos pôr fim aos atos que sujeitam a política a interesses privados", disse, durante o protesto, Mizuho Fukushima, legislador do opositor Partido Social-democrata, em declarações divulgadas pela agência de notícias "Kyodo".

Novas manifestações foram convocadas para hoje e pelo menos até a próxima sexta-feira para pedir a renúncia do chefe do governo japonês.

O caso afundou a popularidade de Abe e tinha ficado em segundo plano até encontrarem os documentos falsos neste mês.

Entre os dados que foram eliminaram, constavam o nome de Akie Abe e seu apoio ao projeto, assim como referências a Abe e Aso e seu apoio de ambos para uma organização ultraconservadora, em que o chefe da instituição também ocupava uma posição elevada.

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