Reino Unido oferece "saída" à Rússia em caso de ex-espião, diz especialista

Londres, 13 mar (EFE).- A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, ofereceu "uma saída" para a Rússia no caso do ex-espião envenenado em Salisbury ao considerar que Moscou perdeu o controle sobre o agente nervoso, opinou nesta terça-feira um renomado especialista.

Jonathan Eyal, diretor-adjunto do Instituto de Estudos Reais de Londres (RUSI, na sigla em inglês), qualificou o "movimento" de May como "muito inteligente".

Concretamente, Eyal se referiu à declaração feita ontem pela chefe de governo no parlamento britânico, na qual considerou que é "altamente provável" que a Rússia esteja por trás da tentativa de assassinato do ex-espião russo Serguei Skripal, de 66 anos, e de sua filha Julia, de 33.

Ambos foram encontrados inconscientes no último dia 4 em um banco da cidade inglesa de Salisbury, vítimas de um ataque proposital no qual foi utilizado um agente nervoso do tipo "Novichok".

May propôs a alternativa de que a Rússia poderia ter "perdido o controle" sobre a substância tóxica - um tipo de agente nervoso de grau militar desenvolvido pela Rússia - e que este caísse em mãos inadequadas.

Na opinião de Eyal, ao considerar a segunda possibilidade, a líder conservadora ofereceu uma oportunidade ao país presidido por Vladimir Putin de "evitar" as consequências do ataque.

Para o especialista, a primeira-ministra lançou uma mensagem dupla: que o governo britânico não pode continuar ignorando quem está por trás deste episódio, que lembra o caso do também ex-espião envenenado em 2006 em Londres Alexander Litvinenko, mas também apresenta uma última "via de escape" para a Rússia evitar as "duras medidas de represália" que são esperadas.

"Infelizmente, não acredito que a Rússia irá fazer uso dessa oportunidade", opinou Eyal, convencido de que na quarta-feira - data limite estipulada por May para que Moscou ofereça uma alternativa "crível" - o Reino Unido ficará em uma posição na qual poderá alegar que "explorou todas as opções possíveis" e que as medidas de represália são inevitáveis.

Eyal considerou que a relação entre o Reino Unido e a Rússia será "gravemente" afetada pelo ocorrido e opinou que o enfoque oferecido pela chefe do Executivo britânico é "interessante" na medida em que tenta adiar o confronto.

A Rússia, por sua vez, qualificou ontem de "espetáculo circense" as acusações e disse que se trata de "uma nova campanha de propaganda informativa baseada em provocações".

A ministra do Interior do Reino Unido, Amber Rudd, se reúne hoje novamente com o comitê de emergência Cobra, formado por vários ministros e pelo serviço secreto, para seguir analisando o caso de Skripal, que vivia refugiado no Reino Unido desde 2010 e continua hospitalizado com sua filha em estado "grave".

Por outro lado, a primeira-ministra chegou a um acordo ontem à noite com o presidente da França, Emmanuel Macron, para estabelecer uma "parceria estreita" entre os dois governos na medida em que avança a investigação do caso.

Segundo confirmou nesta terça-feira à Agência Efe um porta-voz do governo britânico, os dois mantiveram uma conversa telefônica na qual May apresentou as últimas informações sobre o envenenamento e Macron expressou sua "solidariedade" com o Reino Unido.

"A primeira-ministra mostrou a Macron a grande probabilidade de a Rússia estar por trás do ataque", acrescentou a fonte, que assegurou que os dois líderes conversaram sobre o "comportamento agressivo da Rússia" e coincidiram que seria importante "reagir de maneira conjunta com os aliados".

Os dois políticos consideraram que "os governos francês e britânico deverão fazer uma coordenação estreita na medida em que a investigação avança e quando a Rússia responder às acusações".

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